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ARQUIVO - No Mundo dos Famosos
 


Entrevista Especial com LUÍS GUSTAVO

 

Hoje eu tenho a enorme honra de entrevistar aqui “No Mundo dos Famosos” um dos maiores talentos de todos os tempos da TV brasileira. Ele já deu vida a marcantes personagens que até hoje habita no nosso inconsciente. Ele é ainda uma referência suprema de seriedade com seu oficio, por isso é um ator muito bem sucedido e, é justamente, tudo isso que o coloca no rol dos melhores atores que esse país já conheceu. A nossa “Entrevista Especial” é com o querido LUÍS GUSTAVO.

“A comédia é um desafio eterno para o ator...”.

(Luís Gustavo)

Jéfferson Balbino: O que te motivou a seguir a carreira de ator?

Luís Gustavo: A minha irmã era radio atriz o que acabou despertando em mim o desejo pela carreira de ator.

Jéfferson Balbino: Você iniciou sua carreira artística como contrarregra na extinta TV Tupi. Como foi esse período de sua vida profissional?

Luís Gustavo: Antigamente não havia uma função especifica determinada para cada funcionário da televisão. Os funcionários dessa época faziam tudo era ‘pau para toda obra’.

Jéfferson Balbino: Nessa época o senhor tinha noção de que a televisão fosse se tornar esse fenômeno em todo o Brasil?

Luís Gustavo: Não é que a gente tinha noção, mas a gente sabia se tratar de uma grande promessa, uma novidade no mundo, pois já existia nos Estados Unidos. Quando a televisão foi para o ar, embora pouquíssimas pessoas tivessem o aparelho de televisão em casa, as lojas da cidade colocavam nas vitrines os aparelhos de televisão ligados. E daí na porta de cada loja havia uma multidão assistindo. Isso não deixa de ser uma espécie de Ibope, de audiência da televisão nessa época. Na minha rua havia duas casas que tinha televisão daí todos iam pra lá assistir.

Jéfferson Balbino: E nesse inicio a televisão já tinha o poder que tem hoje, o de influenciar na vida da sociedade brasileira?

Luís Gustavo: Na época não era como hoje, essas ‘modinhas’ inspiradas nas atrizes das novelas. Não havia a força que tem hoje, na época as pessoas deslumbravam com a parte lúdica que a televisão oferecia. O Cassino [Gabus Mendes] levava sempre para a programação televisiva peças completas de teatro, grandes clássicos da dramaturgia mundial, depois que vieram as novelas, a primeira foi “Alma Cigana” com a Ana Rosa, a segunda novela foi “Se o Mar Contasse” que eu fiz e aí começaram a surgir as novelas...

Jéfferson Balbino: Você também esteve presente na noite de inauguração da TVTupi?

Luís Gustavo: Sim, eu estive lá... Eles inauguraram com uma peça do Grande Teatro feito pelo Lima Duarte e outros atores da casa que se chamava “O Julgamento de João Ninguém” que foi ao vivo no ar já que não existia videoteipe.

Jéfferson Balbino: Foi muito difícil atuar nessa época onde não havia os adventos da tecnologia?

Luís Gustavo: Era difícil sim... O método era igual o feito hoje, recebíamos o script, decorávamos e ensaiamos e não podíamos errar, afinal era tudo ao vivo. Não era como hoje que regravam várias vezes qualquer ceninha de merda. Foi por isso que inventamos o ‘caco’ onde improvisávamos quando esquecíamos o texto.

Jéfferson Balbino: Você também atuou na novela “O Direito de Nascer” que foi um sucesso retumbante. Nessa época vocês já tinham noção que a teledramaturgia se tornaria essa instituição nacional?

Luís Gustavo: O que aconteceu foi o seguinte: O Cassiano [Gabus Mendes] estava escalando o elenco de “O Direito de Nascer” e “O Sorriso de Helena”, que seria a primeira novela do Sergio Cardoso, ao mesmo tempo e daí ele me escalou para fazer o Albertinho Limonta em “O Direito de Nascer” para o personagem Mário em “O Sorriso de Helena” ele escalou o Hamilton Fernandes que dividia um apartamento comigo nessa época, e um dia quando saímos para jantar o Hamilton chorou pra mim dizendo que desde criança era fã do Félix Caignet que era o autor original da novela, daí fomos falar com o Cassiano até porque lá no fundo eu estava preferindo fazer o Mário que era um médico e também era uma novela muito mais curto e que se passava na atualidade. E como eu achava que “O Direito de Nascer” seria aquela ‘cucaracha’ mexicana trocamos de papel e foi um grande arrependimento meu (risos). E foi um erro meu artístico, mas daí acabou “O Sorriso de Helena” e eu voltei pra “O Direito de Nascer” para fazer o Oswaldo que era irmão do Albertinho e fiz um grande sucesso já que rompi, através da minha interpretação, com aquele estilo mexicano.

Jéfferson Balbino: É verdade que você e o Cassiano [Gabus Mendes] criaram um personagem e a novela “Beto Rockfeller” na mesa de um bar?

 

Luís Gustavo: Acontece que eu estava sentado com ele na mesa de um bar de uma discoteca que ele era sócio, como era de praxe a gente fazer todo sábado, e era aniversário de uma moça muito bonita chamada Letícia, nunca mais esqueço, e estávamos esperando o Hélio Souto chegar, o Hélio também era sócio da boate Dobrão junto com o Cassiano e daí de repente chega na festa um cara muito simpático que cumprimentava todas as pessoas como se fossem velhas conhecidas dele, saiu lá fora da boate com a menina, e quando fomos saber o cara era um bicão ninguém o conhecia. E daí falei pro Cassiano: “Vamos fazer uma novela com um cara desse e deixa eu fazer esse cara (risos)”. Daí o Cassiano gostou da ideia e começamos a escolher ali mesmo o nome da novela, onde surgiram alguns títulos como: “O Bicão”, “O Cara de Pau”... Daí o Cassiano falou: “Tem que ser o nome do personagem. E o nome do personagem tem que ser um nome de pobre, curto e acoplado com um sobrenome longo e de rico e daí ficou Beto Rockfeller, estávamos entre Rockfeller e Rockfild”. Como o Cassiano não podia escrever a novela porque estava dirigindo a emissora ele se lembrou de que havia um escritor que tinha rompido seu contrato com O Estado de São Paulo e que por ser muito talentoso poderia escrever a novela, o escritor era o Bráulio Pedroso, que nessa época já estava meio corcunda, pois tinha sido atropelado, estava sem dinheiro e todo engessado morando de favor na casa da Ruth Escobar que sempre foi uma mulher ligada a Teatro e como o Bráulio era um excelente dramaturgo e um excelente contista e ainda por cima amigo dela não tinha nem como ela não ajudá-lo. Eu e o Cassiano fomos falar pra ele que achou interessante, uma ideia fabulosa, ele que era um subversivo e inovador adorou a ideia, mas disse que não sabia escrever script de televisão. O Cassiano daí falou pra ele não se preocupar com isso e que mandaria o Paulo Ubiratan pra datilografar tudo que o Bráulio criava. Quando ele enviou os três primeiros capítulos o Cassiano adorou, achou um deslumbramento e como ele estava sem dinheiro o Cassiano deu um puto ordenado pra ele e foi esse sucesso que você sabe. Tinha um elenco fantástico, como: Irene Ravache, Eleonor Bruno, Maria Della Costa, entre outros... Era uma novela que tinha uma espinha dorsal muito boa, graças a essa engenharia que o Bráulio fez, era capítulos fantásticos que nunca vi igual, às vezes, via rubrica que dizia: “Tatá (meu apelido) improvisa 3 minutos com assuntos do dia”, ou seja, era uma novela muito verdade, muito realista, muito jornalística. E era por isso que uma vez por mês a gente tinha que ir pra Brasília e ir pra sala do General Wilson Aguiar que era chefe da Censura e que muitas vezes cuspia na nossa cara e xingava a gente dizendo que tinha ocorrências do Brasil inteiro querendo imitar o vagabundo do Beto Rockfeller (risos). Sabe Jéfferson, foi engraçado quando vi esse Wilson Aguiar trabalhando lá na Globo, ele morreu recentemente, mas antes disso trabalhou no Departamento de Memória da Globo e tive que reencontrá-lo, pra você ver como o mundo da muitas voltas. Depois fiz algumas outras novelas boas na Tupi, foi a minha melhor fase profissional, porém, depois com a falência da Tupi a maioria dos meus colegas demandaram para Globo, menos eu, pois meu Beto Rockfeller foi tão marcante para o público que o Boni não me chamava. Eu implorei emprego pro Boni na Globo que me disse que não poderia me chamar porque eu era a cara da TV Tupi através desse personagem que fiz, o Cinema não me chamava, o Teatro muito menos, daí fiquei 2 anos sem emprego até eu inventar uma peça com o marido da Reneé de Vielmont onde a gente ficou viajando com o espetáculo até que depois quando contrataram o Cassiano como autor ele exigiu que me levasse com ele e eu fui pra fazer “Anjo Mau”.



Escrito por No Mundo dos Famosos às 19h56
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Entrevista Especial com LUÍS GUSTAVO

Jéfferson Balbino: A que você atribui o imenso sucesso desse trabalho?

Luís Gustavo: Atribuo ao fato de ter sido uma novela muito verdadeira que mexia com todos os setores da sociedade.

Jéfferson Balbino: Você também atuou na versão original da novela “Anjo Mau” (TV Globo/1976) que sofreu muita imposição da Censura Federal. Quais eram as dificuldades que vocês enfrentaram com o Órgão?

Luís Gustavo: Eu fiz o “Anjo Mau” e realmente foi terrível a Censura com a novela, coitado do Cassiano (risos)...

Jéfferson Balbino: Entre seus personagens marcantes está o músico cego Léo da novela “Te Contei?”. Como você trabalhou o perfil psicológico desse personagem?

Luís Gustavo: Fiz um puto sucesso com essa novela que eu fiz com a Maria Claudia. Eles queriam que eu fizesse laboratório numa clinica de cegos e eu não quis ver nenhum cego na minha frente (risos). Depois de “Te Contei?” fui fazer a novela “Duas Vidas” que foi a primeira novela da Christianne Torloni e uma das primeiras da Glória Pires que fazia a minha filha.  Eu era casado nessa outra novela com a Arlete Sales e fiz um puto sucesso.

Jéfferson Balbino: O que você destacaria do seu trabalho nas novelas: “Elas por Elas” e “Cara a Cara”?

Luís Gustavo: Foi um furacão eu fazendo o Mário Fofoca, um grande sucesso graças à genialidade do Cassiano. Fiz “Cara a Cara” na Bandeirantes com a Fernanda Montenegro e pra fazer essa novela lá eu tive que recusar o convite para fazer a série “Malu Mulher” na Globo onde eu faria um ex-marido da personagem da Regina Duarte. Como era muito amigo do irmão do Boni que nessa época tinha assumido a Bandeirantes e como eu havia prometido a ele que iria pra lá pra fazer a novela troquei de emissora e me dei mal, pois se tivesse feito a série da Globo eu teria feito mais sucesso, como eu iria fazer sucesso na Bandeirantes, né?!

Jéfferson Balbino: Qual era a sua fonte de inspiração para interpretar o Victor Valentim na versão original da novela “Ti Ti Ti”?

Luís Gustavo: Fiz muito sucesso também como o Victor Valentim... Não me inspirei em ninguém não. Procurei incorporar no texto poesias de alguns poetas espanhóis, mas devo todo o mérito ao Cassiano. Até falei, na época, para o Reginaldo [Faria] fazer o Jacques Le Clair tocar violão para as suas clientes, já que ele tocava na vida real, mas ele estava meio em depressão e perdão o tesão pelo personagem e não quis fazer, mas de qualquer maneira ainda assim ele fez um belíssimo trabalho, a gente já havia trabalhado junto na época do Mário Fofoca.

Jéfferson Balbino: E como foi para você ver um personagem tão marcante como o Victor Valentim ser interpretado por outro ator no remake da novela “Ti Ti Ti” (TV Globo/2010)?

Luís Gustavo: Não é ciúme que tenho dos meus personagens até porque eu tenho paixão pelo Murilo Benício que fez o remake, mas a culpa não é do ator, coitado do ator, porém, ele não fez bem como eu fiz na versão original até porque eu domino bem o espanhol e o personagem é espanhol. O grande problema desse remake é ver outro autor escrevendo a história do Cassiano, é uma diferença brutal. Não tem como mexer num texto do Dias Gomes, não tem como refazer bem feito “O Rebu” do Braúlio Pedroso. Os atores não tem culpa se o texto do remake fica aquém... A Claudia Raia estava maravilhosa, mas o texto que ela falava não. Mesmo assim eu quis fazer uma participação que me convidaram o Reginaldo não quis, mas eu quis porque eu adoro [Murilo] Benício e o marido da Júlinha Lemmertz [o ator Alexandre Borges], pois os atores fazem o que podem. Mas quando eu pegava o capítulo e via a diferença no texto eu achava muito triste. Remake perto do original pode esquecer, por isso que os americanos não fizeram um remake do filme “O Vento Levou”, portanto não é só novela não, cinema também!

Jéfferson Balbino: Você é contra remake de novela então?

Luís Gustavo: Eu não sou contra remake, pelo contrário eu quero que faça muitos remakes até porque eu preciso trabalhar. Só digo que nenhum remake será tão bom como foi à versão original. Não se acha mais autor de novelas tão bom como foi Dias Gomes, Bráulio Pedroso e Cassiano Gabus Mendes. O Cassiano, por exemplo, era completo, ele acompanhava a personalidade do autor quando escrevia o personagem, tem muito autor hoje em dia que faz isso e, também é bom no que faz, como o Gilberto Braga, o Walcyr Carrasco, o João Emmanuel Carneiro, o Alcides Nogueira, o que difere eles dos antigos é que hoje em dia eles tem colaboradores que dividem a função com eles, diferente do Bráulio, do Cassiano e do Dias que tirava a camisa no escritório e escrevia um capítulo por dia, sozinho e na máquina de escrever e quando a novela estreava eles tinham – no mínimo – 20 capítulos a frente já hoje em dias, as vezes, ficamos lá no Projac esperando o autor terminar de escrever o capítulo pra gente ler e já gravar.

Jéfferson Balbino: Atualmente tem algum novelista que você acha parecido com o estilo dramatúrgico do Cassiano?

Luís Gustavo: [silêncio] Olha Jéfferson, eu acho que não. Tem tentativas de copiarem o estilo do Cassiano. Ele era tão genial que era até fácil para os diretores dirigirem. Muitos dos que estão aí hoje em dia fizeram ‘estágio’ com o Cassiano para aprender como ele escrevia, lembro do Silvio de Abreu sentado ao lado do Cassiano, vendo como ele escrevia. Mas os veteranos já têm seu estilo próprio de escrever, a Glória [Perez] tem o dela, o Walcyr [Carrasco] tem o dele, assim como o Aguinaldo Silva também tem o dele.

Jéfferson Balbino: Recentemente, eu entrevistei seu sobrinho, o ator Tato Gabus, e ele me disse que tem vontade se tornar um autor de novelas...

Luís Gustavo: Ele sempre teve...

Jéfferson Balbino: Você apoia essa ideia dele?

Luís Gustavo: Eu apoio sim! Não sei por que ele não escreveu até agora, eu tenho impressão que ele escreve bem e se puxar a veia do pai escreverá muito bem. Há uns 10 anos atrás eu já falei pra ele escrever já falei pra ele fazer sinopse e apresentar. Não sei se ele tem já alguma coisa escrita... Já disse que eu dou ideias pra ele escrever, dei muita ideia boa para o pai dele, para o Bráulio como a novela “Super Plá”...

Jéfferson Balbino: A propósito o “Sai de Baixo” (TV Globo/1996) foi uma ideia sua, né?

Luís Gustavo: Sim, foi ideia minha... Tive a ideia de fazer um sitcom gravado com plateia, editar e levar ao ar. Levei essa ideia ao Daniel Filho que achou ótimo. Só que na minha concepção eu morava com a empregada, papel da Claudia Jimenez em baixo com a minha irmã, e em cima o Caco e a Magda. Seria um palco com dois andares, mas o Daniel preferiu deixar todos num palco só, morando juntos.

Jéfferson Balbino: E como foi reviver o Vavá nos novos episódios gravados pelo Canal Viva?

 

Luís Gustavo: Ah foi uma maravilha, uma brincadeira gostosa que promoveu um reencontro. Foi gostoso aquele camarim com o cheiro da coxia, com a interação da plateia, foi ótimo refazer aqueles quatro episódios.



Escrito por No Mundo dos Famosos às 19h55
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Entrevista Especial com LUÍS GUSTAVO

Jéfferson Balbino: “Sai de Baixo” ainda continua sendo reprisado pelo Canal Viva. Como é se rever 20 anos depois? Você se vê com sentido autocrítico?

Luís Gustavo: Ontem eu estava assistindo um pedaço e eu fico procurando lembrar o que acontecerá no capítulo, mas não lembro, pois foram muitos programas, ficamos 6 anos no ar. Assisto com sentido de telespectador, morro de rir com o Miguel [Falabella]. E constato como e porque fez tanto sucesso, pois foi um dos melhores humorísticos da TV brasileira. Uma vez o Miguel até disse que eu copiei da “Família Trapo”, mal sabe ele que tem muito dedo meu na criação da “Família Trapo” (risos).

Jéfferson Balbino: Quando analisamos sua carreira vemos praticamente apenas personagens cômicos. Você sempre preferiu fazer comédia?

Luís Gustavo: Sempre... Não sei se é porque é melhor pra criança assistir, e eu quando crio um personagem sempre testo primeiro com criança e também porque sempre preferi ver uma plateia sorrindo do que sofrendo calada.

Jéfferson Balbino: Vários atores já me confidenciaram que fazer comédia é muito mais difícil que drama. Você também compartilha dessa opinião?

Luís Gustavo: Sim... Comédia sobrevive do tempo, o drama não. O drama você sai de dentro, explode aquela emoção e sempre vai dar certo, agora a comédia não se você perde o tempo, perde a piada e a plateia não ri, passa batido. Eu me preocupo mais com a pulsação d que com o ritmo, muitos atores confundem ritmo e pulsação. A coisa principal na interpretação seja na comedia ou no drama é a pulsação. O ritmo é algo cronológico diferente da pulsação que vem do coração, pode ver que a batida do coração não é sempre igual. O desafio é pegar a pulsação da plateia e assim descobrir o que faz eles rirem mais ou menos. A comédia é um desafio eterno para o ator. Se você perder a pulsação a informação que fará a plateia ri passa batida, ela não ri. Quando se acerta a pulsação é aquela gargalhada que é uma delicia.

Jéfferson Balbino: Outro momento marcante de sua carreira ocorreu em “O Salvador da Pátria”. O que você ressaltaria do texto do nosso querido Lauro César Muniz?

Luís Gustavo: Gostei muito de fazer o radialista Juca Pirama em “O Salvador da Pátria”. O Lauro é um autor maravilhoso, talentosíssimo. É uma pena que ele esteja fora do quadro de autores da Globo, pois ele é um autor que ouve o ator. É difícil fazer uma novela hoje em dia que você consegue manter contato com o autor, hoje na Globo é assim. Já fiz novela que eu nem sei como é a cara do autor. E, em todas as novelas que fiz grande sucesso eu mantinha dialogo com o autor, eu ia na casa do autor jantar e dava sugestão sobre o meu personagem, sobre como eu poderia fazer. O ator tem que falar com o autor, não é possível você atravessar 10 meses de novela sem falar com o autor, o ator só fala com o diretor daí quando a gente faz alguma coisa com o personagem por conta, já que não vê o autor pra conversar, chega depois um recado do autor bravo com você porque você, pois caco demais como aconteceu comigo quando eu fiz a novela “Três Irmãs” do Antônio Calmon. E olha que ele era amigo meu, me convidou pra novela por causa que sabe que fazia uns improvisos e que isso seria bom para o personagem. E de repente ele mandou um e-mail para o Dênnis [Carvalho] dizendo que eu estava desrespeitando o texto dele e cortou eu e o Otávio Augusto da novela mandando nossos personagens para um manicômio. O Dennis ficou revoltado parece que é até por isso que hoje ele esta fora da Globo. Eu estava em Ilha Bela quando ele me ligou me convidando para fazer essa novela, eu já tinha trabalhado com ele em outras novelas, acho que ele não é bom da cabeça, ficou com raiva de mim e nunca mais conversou comigo (risos). Não foi um desentendimento, mas fiquei muito surpreso com a atitude dele, mas paciência, um abraço e um queijo pra ele (risos), nunca me aconteceu isso antes. Se ele não gostasse que eu colocasse caco era só me falar que eu não colocaria, assim como eu falaria na integra um texto do Walcyr Carrasco que é avesso a ator por caco em uma novela sua.

Jéfferson Balbino: Eu que também sou ator sei como faz falta pôr um caco no texto. Para você não compromete a sua interpretação ser extremamente metódico com o texto não alterando uma palavra sequer?

Luís Gustavo: A minha interpretação compromete até porque fiz inúmeros teleteatros onde a gente tinha que por cacos. Uma palavra ou outra é normal alterar, é uma maneira mais livre, mais solta de interpretar e que às vezes funciona na hora do ator contar determinada situação, na maneira dele gesticular...

Jéfferson Balbino: Que lembranças você tem do Firmino de “Mico Preto”?

Luís Gustavo: Essa foi uma novela que eu comecei fazer, os dez primeiros capítulos foram geniais e depois o texto ficou uma merda, virou uma novela ruim, não sei se mudaram os autores. Daí me mataram e depois fizeram eu voltar aparecendo como um sósia (risos).

Jéfferson Balbino: Quando você faz uma novela como essa que é rejeitada pelo público e um fracasso de audiência você fica frustrado?

Luís Gustavo: Fico nada... Mas procuro ajudar, tento falar com o autor, opinar, dar dicas... Porém, hoje em dia é muito difícil isso.

Jéfferson Balbino: Na época, como você lidou com a repentina morte do magistral Cassiano Gabus Mendes que veio a falecer antes do término de sua novela “O Mapa da Mina” (TV Globo/1993)?

Luís Gustavo: Foi uma perda terrível, a gente perdeu a direção, é mesma coisa de você estar numa estrada e furar o pneu e você cair num barraco, foi um baque muito grande. Eu fazia um personagem com o Pedro Paulo Rangel e a Malu Mader, tinha como companheira a Nair Bello, era uma novela fantástica. Outra novela fantástica do Cassiano foi “Que Rei Sou Eu” nessa eu pedi pra fazer uma ponta e levei a ideia de fazer um inglês que levava o futebol para a corte (risos). É uma pena que essa novela a Globo não reprisa no “Vale a Pena Ver de Novo”, mas eles não reprisam porque não tem merchandising nela... O Canal Viva reprisou ela recentemente e foi um estrondoso sucesso, mas o Viva perto da Globo não é nada , por isso acho que tinha que reprisar é na Globo.

Jéfferson Balbino: Você está no grupo de atores liderado pelo Antônio Fagundes que é contra o Canal Viva reprisar as novelas e programas antigos da Globo e não pagar a eles os direitos conexos?

Luís Gustavo: Eu não... Não sei por que eles reclamam! Eu acho legal a Viva promover essas reprises, a equipe do Canal Viva são muito carinhosos com a gente e eu sou super a favor de reprise de novela antiga é mil vezes melhor do que eles fazerem remake.

Jéfferson Balbino: Na época da reprise de “Pantanal” pelo SBT, em 2008, o jornal Folha de São Paulo divulgou que a novela “Que Rei Sou Eu?” era a campeã de pedidos de reprise para a sessão “Vale a Pena Ver de Novo”, mas creio eu que a Globo não reprisa porque tem intenção de fazer um remake dessa maravilhosa novela. Já até foi divulgado que a [Maria] Adelaide [Amaral] escreveria...

Luis Gustavo: A Maria Adelaide tem essa mania de reescrever as coisas do Cassiano. No remake de “Ti Ti Ti” ela fez uma mistura de Mário Fofoca com o Victor Valentim numa novela só... De todos os autores que escrevem para televisão acho que o Walther Negrão seria o mais indicado para reescrever uma novela do Cassiano, ele tem um pouco do universo do Cassiano, escreveram muito juntos, ele via a maneira que o Cassiano escrevia. Ele queria escrever um remake do Mário Fofoca, e ficou triste quando soube que a outra autora escreveria, ele disse que ela iria estragar a novela do Cassiano... Não o acho nenhuma Brastemp, mas creio que ele seja o mais indicado porque é o que mais se aproxima do jeito do Cassiano. É claro que a Adelaide por ser intelectualizada tem um texto com um brilhantismo, mas para fazer Cassiano não se trata de texto se trata daquela pulsação que eu te falei e o Walther Negrão tem.

Jéfferson Balbino: “Que Rei Sou Eu?” foi a obra-prima do Cassiano Gabus Mendes?

 

Luis Gustavo: Acho que não... Ele teve outras coisas boas, é claro que essa novela era uma crítica da corrupção como o Brasil de hoje, mas ele tem outras histórias maravilhosas como “Te Contei?”, “Meu Bem, Meu Mal”, “Locomotivas”, “Marrom Glacê”...



Escrito por No Mundo dos Famosos às 19h43
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Entrevista Especial com LUÍS GUSTAVO

 

Jéfferson Balbino: Como foi contracenar com a grande atriz Glória Menezes nas novelas “O Beijo do Vampiro” (TV Globo/2003) e “Começar de Novo” (TV Globo/2004)?

Luís Gustavo: Eu trabalho com a Glória Menezes desde a TV Tupi, fiz muita comédia com ela, muito teatro. Ela é uma atriz completa, boa colega, inteligente e rápida. Fiz trabalhos maravilhosos com ela como em “Começar de Novo” que foi nosso último trabalho juntos.

Jéfferson Balbino: Que atou e/ou atriz que você nunca trabalhou mais tem muita vontade?

Luis Gustavo: O Mateus Solano, nunca trabalhei com ele, mas o acho fantástico. Gostaria de trabalhar com ele porque ele é um ator rápido. Tem uma ala nova que nunca trabalhei mais que gostaria como o Wagner Moura, quase trabalhei com o Selton Mello que é outro ator que admiro muito. O Lazaro Ramos, mas o [Mateus] Solano acho o melhor de todos.

Jéfferson Balbino: E quais são seus atores prediletos para trabalhar?

Luis Gustavo: Osmar Prado, Carlos Vereza, José Wilker, o Cassinho [Cássio Gabus Mendes], o Bruno Gagliasso que é maravilhoso, o Domingos Montagner que é um ator fantástico, circense, todos que vem de circo são muito bons. Tem também o Antônio Calloni... Já trabalhei com quase todo mundo.

Jéfferson Balbino: Existe algum personagem que você ainda não fez mais que gostaria de fazer?

Luis Gustavo: Gostaria muito de ter feito mais não deu, uma vez quase deu certo, mas agora já passei da idade é o Pedro Bala do “Asa Branca”, essa foi minha grande frustração, uma grande tristeza não ter tido a chance de fazer, mas agora já passei da idade, tinha que ter feito na época da Tupi. Uma vez falaram que ia filmar o “Capitães de Areia” pra TV, o Walter George Durst que faria e disse que me chamaria, mas não deu!

Jéfferson Balbino: Você também participou de novelas com temáticas espíritas como “Alma Gêmea” (TV Globo/2005) e “O Profeta” (TV Globo/2006). Que importância as novelas espíritas tem para a história da teledramaturgia brasileira?

Luís Gustavo: Não sei te dizer Jéfferson... Até porque não sou muito chegado nessas coisas espirituais não... Não tenho nada contra, mas não me meto. Quando eu estava gravando “O Profeta” tinha umas coisas que ela lembrava de alguém que tinha morrido e eu estava numa mesa jogando xadrez e eu levantava e quando voltava tinham feito uma jogada pra me dar xeque-mate daí me falaram que não podia mexer com essas coisas (risos), não me meto, mas não gosto (risos).

Jéfferson Balbino: Você acha que a novela tem que ter um cunho social atrelado a sua espinha dorsal?

Luís Gustavo: Acho que a novela tem que ter tudo querido... Até porque são muitas novelas, muitas histórias, tem que ter sim desde que ajude em alguma coisa. Não pode ficar só nesse negócio de homem beijar homem. É claro que tem que ter de tudo, mas enfatizam muito só o lado homossexual, só o beijo gay e não enfatizam o amor, o sentimento dos gays. Recentemente faleceu a filha do Vinicius de Moraes com 70 anos e a companheira dela, a cantora Adriana Calcanhoto com 50 anos disse que perdeu o grande amor da vida dela, olha Jéfferson que coisa linda isso, isso que digo que tem que ser enfatizado e não apenas o beijo gay.

Jéfferson Balbino: Com tantas idéias boas você nunca pensou , assim como o Tato Gabus, em se tornar um autor de novelas?

Luís Gustavo: Já pensei sim, mas é a tal história eu precisava de alguém me ajudando. Eu já tinha combinado isso com o Bráulio [Pedroso] que iria chamar o Geraldinho Carneiro e nós três iríamos escrever uma história, mas agora já não dá mais... Cheguei a escrever umas sinopses e mostrei pra um diretor da Globo, o Ary Nogueira que nem está mais lá agora umas três ele me disse que já tinham apresentado tal ideia e a outra sinopse eles perderam numa das gavetas, é complicado Jéfferson! Com a minha idade agora é dificil eu peitar e escrever uma novela, mas vou tentar escrever uma com o Tato.

Jéfferson Balbino: Como foi dar vida ao Apolônio na novela “Joia Rara” (TV Globo/2013) que foi a vencedora do Emmy 2014 de “Melhor Novela”?

Luís Gustavo: foi uma delicia primeiro lugar por causa do elenco fantástico... Só tinha gente legal nessa novela como o Caio Blat, a Carolina Dieckmann aquela loucura maravilhosa da direção da Amora Mautner, foi uma delicia. A Amora [Mautner] disse que me chamaria pra fazer a novela do João Emmanuel Carneiro que ela vai dirigir, mas até agora nada, a gente vai ficando velho e esquecem da gente...

Jéfferson Balbino: O que você acredita ter sido a sua maior contribuição para a história da teledramaturgia brasileira?

Luis Gustavo: Todas as coisas que fiz, as personagens que dei ao público como o próprio Vavá que foi o presente gostoso que dei ao público ao longo dos meus 65 anos de profissão.

Jéfferson Balbino: Quais são suas perspectivas em relação ao futuro da teledramaturgia brasileira?

Luis Gustavo: Eu acho que a novela vai continuar, se apurar, essa linha jovem parece ser promissora e creio que podemos esperar ótimos trabalhos deles. A Globo é uma emissora que sabe fazer, sabe proteger e cuidar do seu elenco. E tem que investir nos novos talentos até mesmo porque os autores vão morrendo, embora tenhamos uns 4 ou 5 na ativa a idade chega pra todo mundo e por isso tem que haver essa renovação muito rápido que é o que me procura, mas tenho fé que a coisa vai melhorar. Sempre haverá novela e sempre ela será eterna.

Jéfferson Balbino: Qual é a sua consideração sobre a velhice?

Luis Gustavo: Acho a velhice uma merda, a pior merda que você tem na vida é a velhice. Como a gente vai por a experiência em prática se a carroceria não aguenta? (risos). O motor pode estar bom, mas a carroceria já esta cambaleada e não dá pra sair na pista. Eu acho a velhice uma catástrofe, mas acontece que não pode deixar que ela te derrube, não podemos ter medo da morte, o segredo é viver o momento. Usufrua do momento, afinal a gente esta aqui de passagem, tudo é emprestado. Morreu...Tchau! Não acredito que vamos pro céu e nem pro inferno, morreu acho que acabou. Não acredito em reencarnação!

Jéfferson Balbino: Você é um ator que assiste novelas também? Quais foram as melhores que você já assistiu?

Luis Gustavo: Eu não assisto novelas, mas para te dizer, na época que eu fazia os grandes personagens eu assistia. Hoje em dia não assisto, nem as novelas que faço, mal sei o nome, mas é claro que quando vejo algum artista que gosto quando estou trocando de canal daí eu paro e vejo um pouco, como as vezes acontece naquela que passa as seis da tarde, “Boogie Oogie”, mas quase nunca ligo a televisão aqui em casa. Vejo mais o “Jornal Nacional”, de vez em quando vejo algum esporte, estou perdendo o interesse pelo Futebol até porque é um antro de corrupção também (risos).

Jéfferson Balbino: Tatá querido, muitíssimo obrigado por conceder essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos”, foi uma honra ter um magistral ator como você aqui. Sucesso, saúde e muita paz hoje e sempre pra você e sua família, um grande abraço querido!

 

Luis Gustavo: Obrigado você, sempre que precisar me liga, um abraço!



Escrito por No Mundo dos Famosos às 19h35
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Ainda Hoje: Entrevista Especial com LUÍS GUSTAVO



Escrito por No Mundo dos Famosos às 19h31
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