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ARQUIVO - No Mundo dos Famosos
 


Entrevista Especial com ELKE MARAVILHA

 

Hoje eu tenho a honra de entrevistar aqui “No Mundo dos Famosos” uma das mulheres mais providas de inteligência, além de talento, que eu já conheci na vida. Ela é simplesmente fascinante, tem uma energia contagiante, e embora não tenha nascida no Brasil é muito mais brasileira que muitas pessoas que eu conheço por aí, afinal ela ama de verdade esse país, se preocupa com os rumos políticos e tem a coragem que falta em muitos brasileiros para lutar contra a opressão do sistema, e foi assim no passado quando foi injustiçada pela Ditadura perdendo sua cidadania, mas como ela é avessa a drama faz desse lamentável episódio ocorrido na sua vida um estimulo para manter sempre viva sua coragem. A “Entrevista Especial” de hoje é com a brilhante e exuberante ELKE MARAVILHA.

“Eu acho que o primeiro governo da Dilma foi péssimo, mas se mesmo assim as pessoas ainda quiseram reelegê-la, cabe a nós aceitarmos, afinal estamos numa democracia.”

(Elke Maravilha)

Jéfferson Balbino: Elke, como surgiu seu interesse pela carreira artística?

Elke Maravilha: Eu nunca tive! Julgaram-me dentro do meio artístico e tudo bem, aliás, eu nunca soube o que eu queria ser quando eu crescesse. Meus irmãos sabiam, mas eu não sabia. Sempre escolheram para mim, por isso foi tradutora de línguas, bancária, secretária, fui um monte de coisa. A única vez que escolhi uma coisa, escolhi errado...

Jéfferson Balbino: O que foi que você escolheu errado?

Elke Maravilha: Fiz um ano de medicina e não tinha o menor jeito para isso, nunca soube escolher, as pessoas que escolhiam para mim e dava certo (risos).

Jéfferson Balbino: Mas você se considera uma artista, né?

Elke Maravilha: Agora eu fiquei né?!

Jéfferson Balbino: Então a carreira artística não chegou até você através da vocação?

Elke Maravilha: Agora eu tenho, mas antes eu não sabia. Sabe Jéfferson, eu acho que as pessoas tinham que ser assim: não correr atrás das coisas, mas deixarem vir até você o que tiver de ser seu, pois acho que a vida é como uma festa onde passa o garçom...

Jéfferson Balbino: Você acha que tudo que tiver de ser nosso está sempre predestinado?

Elke Maravilha: Pelo menos no meu caso sim... Não é a razão que resolve as coisas para gente.

Jéfferson Balbino: Você que foi expoente do Movimento de Arte Pornô o que destacaria da sua atuação?

Elke Maravilha: Eu sou madrinha dos presidiários, dos leprosos, dos gays e das prostitutas há 40 anos. Às vezes, eu particípio de festas que premia o Cinema pornô e outros eventos ligados a Arte Pornô, mas não milito pela causa, embora eu ache ótimo lutar por ela.

Jéfferson Balbino: E você acha que a Arte Pornô ainda é muito marginalizada no Brasil?

Elke Maravilha: Eu acho que sim, porque a nossa moral esta no meio das pernas, né? Embora eu acredite que a moral está na alma. Eu odeio quem vende a alma, mas não sou contra quem vende o corpo. Porque quem vende a alma a gente adora, né? Sempre votamos neles e isso me irrita.

Jéfferson Balbino: Você é avessa a Política?

Elke Maravilha: Não, pelo contrário, eu adoro política, porém, eu gosto da política grega que é tudo que faz bem a polis e a nossa política não faz bem a nada, mas a gente permite. Só fazem com a gente o que a gente permite...

Jéfferson Balbino: O ano passado, 2014, foi um ano onde o Brasil ficou dividido devido a eleição presidencial. Como você analisou esse cenário?

Elke Maravilha: Venceu o que a maioria quis, eu não tenho lado político. Eu acho que o primeiro governo da Dilma foi péssimo, mas se mesmo assim as pessoas ainda quiseram reelegê-la, cabe a nós aceitarmos, afinal estamos numa democracia.

Jéfferson Balbino: Você se classifica como da Direita ou da Esquerda política?

 

Elke Maravilha: Eu não me classifico nem como direita e nem como esquerda. Tenho a minha ideologia, mas não é qualquer ideologia é a ideologia que vem do coração que faz eu saber que não posso explorar, de coração eu tenho que saber que não posso puxar seu tapete, de coração... Porém, o que sai do coração e que vem para a mente e depois para a bandeira nunca funcionou. Nunca funcionou o comunismo, nunca funcionou o nazismo, nunca funcionou o PT, nem o PPS, nem a puta que pariu... Não funciona! Quando sai do coração meu amor... O problema nosso é o que o brasileiro não gosta do Brasil e por isso não faz bem para o Brasil. 



Escrito por No Mundo dos Famosos às 19h45
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Entrevista Especial com ELKE MARAVILHA

Jéfferson Balbino: Embora não tenha nascido no Brasil, você se considera uma brasileira nata?

Elke Maravilha: Mas é claro, eu adoro o Brasil. Por isso me revolto com essas atitudes da maioria dos brasileiros.

Jéfferson Balbino: Tem algum político brasileiro que você consegue admirar?

Elke Maravilha: Tem o Pedro Simon que agora largou a política. O [Fernando] Gabeira, o Cristovam Buarque, aquele que morreu de tristeza, o Jéfferson Peres, do Amazonas, era um cara maravilhoso, eles eu confio neles. A Marina Silva ainda não mostrou a que veio, mas como ela já foi aliada do Fernando Gabeira e eu acredito nele ela tem um ponto comigo!

Jéfferson Balbino: Eu li na sua biografia que você fala 10 idiomas...

Elke Maravilha: Sim. Oito [idiomas] falados e duas línguas mortas, o grego antigo e o latim.

Jéfferson Balbino: E qual o segredo para se tornar um poliglota como você?

Elke Maravilha: Na Rússia isso é normal. Eu tenho esse resquício de cultura russa. Mas é porque eu levei jeito, porque tenho irmão mais inteligente do que eu que não falava, mas lá em casa na segunda-feira a gente falava Alemão; na terça, russo; na quarta, inglês; na quinta, francês... Português eu aprendi na rua, espanhol e italiano eu aprendi na Universidade e grego eu aprendi na Grécia. Meu pai falava 14 idiomas, pois na Rússia é muito normal, o que menos fala lá é quatro idiomas.

Jéfferson Balbino: Na Europa é normal a maioria dos europeus serem bilíngües, no mínimo. Em sua opinião, porque os brasileiros não têm também essa tradição?

Elke Maravilha: Porque Jéfferson, em minha opinião, os brasileiros tem muito medo de errar, tem medo de se arriscar, e quando se tem medo de errar você nem vai falar, e se não fala, se não erra, não aprende.

Jéfferson Balbino: Se você pudesse dar uma dica para algum brasileiro aprender a dominar outro idioma qual seria?

Elke Maravilha: Fala merda mais fala, erra mais continua falando. No começo eu falava muita merda também, mas não tinha medo do ridículo, porque ridículos todos nós somos. Errei, mas aprendi.

Jéfferson Balbino: O que você poderia nos falar sobre sua amizade com a Zuzu Angel?

Elke Maravilha: Éramos muito amigas... Também desfilei pra ela, foi muito bom ter a amizade dela. A conheci no salão de cabeleireiro e ficamos amigas, ela já estava no processo de procurar o corpo do filho, eu fui presa nessa época e ela me ajudou a sair da prisão. Enfim, nos tornamos amigas e cúmplices... 

Jéfferson Balbino: E que falta ela faz para a sociedade brasileira?

Elke Maravilha: Ela era um exemplo de integridade, de coragem... Ela enfrentava as situações, nesse ponto ela foi muito importante.

Jéfferson Balbino: Qual você considera ser o maior legado que ela te deixou?

Elke Maravilha: A coragem. Ela era um exemplo de coragem e de tragédia. Ela era como a Antígona, a Antígona queria enterrar o irmão e o filho, ela não era dramática e chorona, geralmente, os latinos são chorões, a tragédia não chora, a tragédia pranteia. A Zuzu não era chorona, ela apenas queria justiça. 

Jéfferson Balbino: Aquele episódio ocorrido em sua vida no qual você foi presa no Aeroporto Santos Dumont te dói quando você relembra?

Elke Maravilha: Jéfferson, meu amor, eu não sou dramática e nem gosto de drama (risos). Nem tristeza eu sinto quando relembro. Querido, eu não sou traumatizavel, pois eu não fiquei naquela ocasião. Eu estou em 2015, quem fica traumatizado fica preso naquela época, por isso eu nem ligo para o que já me fizeram de mal nessa vida. Eu fui preparada para a Guerra, meu pai foi guerrilheiro voluntário contra a terra dele quando a União Soviética queria pegar a Finlândia. Era guerrilha a 20 [graus Celsius], a 30 [graus Celsius] abaixo de zero. Então não vou ficar fazendo ‘draminha’ porque fui presa e perdi a cidadania. Se eles não me deram a cidadania foda-se eles, porque eu ei que sou brasileira. Eles eram idiotas e o poder faz isso, não adianta se revoltar contra o sistema tem que lutar contra ele. Uma das doenças mais graves é a Ditadura, por isso não podemos permitir que ela se alastre.

Jéfferson Balbino: Agora que o Brasil está “livre” da Ditadura...

Elke Maravilha: Você acha? (risos)

Jéfferson Balbino: Livre entre aspas, né (risos)?

 

Elke Maravilha: Amor, as torturas estão aí... Naquela época você sabia quem era o inimigo e hoje você não sabe pode ser que ele esteja do seu lado.



Escrito por No Mundo dos Famosos às 19h44
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Entrevista Especial com ELKE MARAVILHA

Jéfferson Balbino: Nessa conjuntura então você acha que pouca coisa mudou?

Elke Maravilha: Como Darwin dizia: “A natureza não dá saltos”. Às coisas não evolui tão rápido assim não... É devagar, as pessoas tem que educar bem seus filhos, pois aos 12 anos o caráter esta formado, mas agora as pessoas educam seus filhos para serem corruptos, o poder não corrompe ninguém, o poder revela, portanto o negócio é educar bem seus filhos. Eu não fiz filhos porque eu não saberia educar uma criança, agora 70% das mulheres que tem filhos não deveriam ter, pois parir qualquer burro pari, agora educar? Eu não saberia educar uma criança, como te falei antes desde criança eu nunca soube o que eu queria ser, agora o que eu nunca queria ser eu sempre soube. Ah, sempre soube!

Jéfferson Balbino: O que você nunca quis fazer e/ou ser na vida?

Elke Maravilha: Ter filhos e dirigir um carro. Se dirigisse carro eu faria merda, batia... Ia querer ficar mandando beijinho para os outros e bateria o carro (risos). Acho também que muitas pessoas que dirigem não deveriam dirigir.

Jéfferson Balbino: Só para encerrarmos o assunto sobre a Zuzu Angel. Que avaliação você faz da atriz Luana Piovani representando você no filme biográfico sobre a Zuzu?

Elke Maravilha: Ah Jéfferson, foi ótimo... Na realidade não foi um filme sobre a Elke, mas sobre a Zuzu então ela foi ótima, a menina que fez a Zuzu também esteve especial. Nesse filme eu nem saberia que iria aparecer, depois fiz a cantora alemã no Cabaré do filme. A primeira pessoa que o Sérgio Rezende conversou sobre a Zuzu para fazer o filme foi comigo.

Jéfferson Balbino: E da sua participação na TV brasileira o que você destacaria

Elke Maravilha: Óbvio que foi o Chacrinha! Pois ele era a melhor coisa do mundo. O Aroldo Costa me sugeriu para ele me chamar porque eu era diferente, e ele me chamou para ser jurada e foi ótimo. Ele tinha um gênio maravilhoso, tanto no ar como fora do ar. A melhor coisa que tivemos na TV brasileira e a única coisa cem por cento brasileira na nossa TV foi o Chacrinha.

Jéfferson Balbino: E como foi a sua participação na teledramaturgia brasileira. Você gostou de fazer novelas?

Elke Maravilha: Não sou muito atriz de novelas não até porque quando se faz novelas à gente fica muito engaiolado, né?! Eu fiz uma novela inteira na Record, mas não era algo que me escravizava, pois a personagem era pequena, mas a experiência foi válida.

Jéfferson Balbino: Você aceitaria a fazer novelas novamente?

Elke Maravilha: Depende da personagem...

Jéfferson Balbino: E no Cinema, qual foi seu melhor trabalho?

Elke Maravilha: Todos foram bons... A personagem mais difícil que fiz em Cinema foi no filme “Pixote – A Lei do mais Fraco”, onde eu fazia uma traficante que matava na porrada um amigo do Pixote e ele matava a minha personagem, ou seja, foi uma coisa muito violenta. O filme continua sendo até hoje muito prestigiada. Fiz também uma participação em “Meu Passado me Condena”, em “Mato sem Cachorro”, fiz agora uma participação num filme lá no Ceará que ainda não foi lançado, “A Lenda do Gato Preto”.

Jéfferson Balbino: No Teatro, o que você destacaria da sua carreira?

Elke Maravilha: A peça que já estou a alguns anos fazendo: “Elke: Do Sagrado ao Profano” que tem eu e mais três músicos onde eu canto 14 música, dez brasileiras e 4 estrangeiras, falo texto de Drummond e de Cecília Meireles. É um espetáculo muito inteligente!

Jéfferson Balbino: Como você avalia o atual cenário cultural brasileiro?

Elke Maravilha: Muito fraquinho, pois não se prioriza cultura. Ainda prioriza as bundas... Começando pelo Colégio, você vê os resultados do Enem e pode constatar até como anda a educação.

Jéfferson Balbino: O que você gosta de fazer nas horas livres?

Elke Maravilha: De costurar, de bordar, de fazer meus arranjos de cabeça, montar meus acessórios...

Jéfferson Balbino: Você gosta de assistir televisão? O que assiste?

Elke Maravilha: Assisto pouca coisa na TV aberta, assisto mais filmes e documentários.

Jéfferson Balbino: E novelas?

Elke Maravilha: A última novela que assisti inteira foi “Caminho das Índias” que eu até fiz uma participação em um capítulo. Eu não sou muito noveleira, mas gostei muito de “Roque Santeiro”. 

Jéfferson Balbino: De quem você sente saudade?

Elke Maravilha: dos meus amigos: Pedro de Lara e Chacrinha, pois eles fazem muita falta.

Jéfferson Balbino: E como é a sua relação com a espiritualidade? Você tem uma religião definida?

Elke Maravilha: Eu sou politeísta. Acredito em muitos deuses. Como dizia Álvaro de Campos: “Ergo em cada campo de minha alma um altar a um deus diferente.” Eu nasci assim, pois ninguém me impôs religião. Meu pai era livre pensador, ninguém impunha nada de religião, cada um escolhia a sua, eu escolhi todas. É meu jeito de ser! Acho que será bom se muitas pessoas fossem assim, pois daí não teria aquela disputa ridícula de achar o meu deus melhor do que o seu que é algo prejudicial ao ser humano.

Jéfferson Balbino: E como é a sua relação com astrologia?

Elke Maravilha: Eu tenho o mesmo mapa astral que o Bin Laden: Peixes com ascendente em escorpião e câncer e galo no Chinês. Sou peixes igual o Pedro de Lara. Já o Chacrinha era Libra.

Jéfferson Balbino: Quais são suas perspectivas em relação ao futuro?

Elke Maravilha: Eu não penso em futuro, não sei se terei futuro, vou fazer 70 anos então nem posso pensar em futuro tenho só que deixar a coisa acontecer.

Jéfferson Balbino: E qual o segredo para se manter tão jovial aos 70 anos?

Elke Maravilha: Eu sempre falo que faço tudo errado: eu bebo, eu fumo, eu não durmo em hora certa, não me cuido, eu faço tudo errado. Eu só me cuido com meus remédios, pois desde menina nasci com problema no coração e tenho diabetes. Não faço nem ginástica!

Jéfferson Balbino: Então é a genética (risos)...

Elke Maravilha: Ah deve ser, a minha avó era mongol eu acho que puxei para ela (risos).

Jéfferson Balbino: Você utiliza internet?

Elke Maravilha: Eu não...

Jéfferson Balbino: Então você é avessa a tecnologia?

Elke Maravilha: Eu não, pelo contrário, acho ótimo, mas tenho preguiça. A sua geração inventou essa merda então vocês que destrincha (risos).

Jéfferson Balbino: Elke, super obrigado por conceder essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos”, foi uma honra falar com você, um grande beijo e muito sucesso!

 

Elke Maravilha: Obrigada, foi um prazer falar com você meu amor, fique bem, um beijo!



Escrito por No Mundo dos Famosos às 19h41
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Ainda Hoje: Entrevista Especial com ELKE MARAVILHA



Escrito por No Mundo dos Famosos às 19h41
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