Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




ARQUIVO - No Mundo dos Famosos
 


Entrevista Especial com BEATRIZ LYRA

 

Hoje eu entrevisto aqui “No Mundo dos Famosos” uma atriz que tem uma enorme contribuição nessa história de sucesso da teledramaturgia brasileira, afinal ela já deu vida a inúmeras personagens marcantes em novelas que é impossível de esquecermos. A nossa “Entrevista Especial” de hoje é com uma grande atriz que, embora já esteja aposentada das novelas, ainda nos brinda com sua impecável atuação nas reprises do Canal Viva onde atualmente está no ar na reapresentação da novela “O Dono do Mundo”. Minha entrevistada é a querida e brilhante atriz BEATRIZ LYRA.

“O meu interesse maior, como atriz, sempre foi fazer um bom trabalho, isso era o suficiente, pois isso me deixava completamente satisfeita! Agora, quando eu olho para trás vejo que o meu objetivo foi alcançado!”

(Beatriz Lyra)

Jéfferson Balbino: Beatriz, como surgiu seu interesse pela carreira de atriz?

Beatriz Lyra: Olha Jéfferson eu desde criança sempre gostei de teatro e música e virei por acaso atriz profissional quando eu fiz um curso livre de teatro, porém, fiz para ter mais segurança na comunicação, daí tive um convite para uma peça e fiquei um ano em cartaz, como a coisa deu certo resolvi investir também na carreira de atriz.

Jéfferson Balbino: Então a senhora não teve uma influência de alguém nessa escolha?

Beatriz Lyra: Direta não… Teve uma influência indireta de uma professora de voz, era uma senhora que me viu num espetáculo lírico e ela me incentivou a fazer o curso livre.

Jéfferson Balbino: Sua estreia em telenovelas ocorreu em “A Moreninha” (TV Globo/1975). Como surgiu a oportunidade para a senhora ingressar na TV com esse trabalho?

Beatriz Lyra: Na realidade eu já havia feito antes uma pontinha pequena na novela “A Ponte dos Suspiros”. Mas foi através do Moacir Dequém, a gente fazia uma peça juntos, ele me indicou para essa participação na novela do Dias [Gomes], depois disso eu fiz algumas coisas na linha de shows só depois que eu fiz “A Moreninha” e segui em outras novelas.

Jéfferson Balbino: Depois de “A Moreninha”, a senhora deu um show de interpretação como a Ester na novela “Escrava Isaura” (TV Globo/1976), porém, a sua personagem morria antes do final. Como foi ter que deixar a novela no auge do sucesso tanto da novela quanto da sua personagem?

Beatriz Lyra: Como eu já sabia que a personagem morreria, eu não fiquei tão triste até porque era para a personagem ter morrido antes e ficou um pouquinho mais. E também como se gravava muito nessa época já que a profissão não era ainda regulamentada e como havia ocorrido um incêndio na Globo a gente ia gravar longe lá na onde era a TV Educativa e por isso eu não tinha o retorno do sucesso da personagem e da novela, só fui ter depois que sai da trama, mas a “Escrava Isaura” foi um trabalho muito braçal de tantas externas em Santa Cruz, então essa locomoções diárias e o excesso de trabalho nos impediam de ter o retorno imediato do público.

Jéfferson Balbino: Mas eu digo em relação ao seu apego com a personagem... devido a esse fator, foi difícil ter que deixar a trama antes do final?

Beatriz Lyra: Ah sim até porque a gente se afeiçoa ao núcleo e a personagem. É como quando estamos lendo um livro ou acompanhando uma telenovela que acaba nos deixando o vazio da convivência diária que tínhamos até então, mas isso acontece com todas as personagens que fiz.

Jéfferson Balbino: E para compor essa personagem a senhora buscou referências no livro do Bernardo Guimarães ou somente no texto do Gilberto Braga que era o autor da novela?

Beatriz Lyra: Só no texto do Gilberto, pois tinha tudo que precisava.

Jéfferson Balbino: E, em relação a direção do Herval Rossano ele era um diretor muito severo mesmo?

Beatriz Lyra: O Herval era sim muito exigente, mas a novela “Escrava Isaura”, a partir de um certo ponto, foi também dirigida pelo Milton Gonçalves, mas o Herval continuava o diretor de núcleo. No caso do Herval, já na época tinha atores que reclamava, mas acho que ele exigia o que devíamos ter que é o nosso profissionalismo, ser pontuais, ter o texto estudado, acho que todo diretor deveria ser assim, embora tivessem diretores que deixavam mais a vontade. Eu nunca tive problema com o Herval, porque sempre fui comprometida com meu trabalho. É uma questão de profissionalismo.

Jéfferson Balbino: Que lembranças a senhora tem do seu trabalho nas novelas: “À Sombra dos Laranjais” (TV Globo/1977) e “Marina” (TV Globo/1980)?

 

Beatriz Lyra: “À Sombra dos Laranjais” acho que foi uma novela injustiçada pela Globo e foi pra gente muito cansativa, porque devido ao circo que tinha na trama e que foi montado lá em Pedra de Guaratiba a gente tinha que se deslocar até lá para gravar e a Monah Delacy fazia uma peça num teatro que tinha no Largo da Carioca daí a gente tinha que esperar ela fazer a peça e voltar par depois continuarmos gravando, agora imagina o tempo que ela levava de Pedra de Guaratiba até o Largo da Carioca e a maioria das gravações eram a noite, então era muito sacrifício ainda mais que pegamos o verão inteiro, era muito quente o cenário do circo. Hoje não teríamos esse problema, mas naquela época as condições de trabalho eram muito difíceis. Porém, eu gostava muito da novela e depois disso eu viajei para o interior com uma peça de teatro e senti a repercussão que teve essa novela, mas acho que a Globo esnobou muito essa novela. É curioso que até tempos atrás, muitas pessoas me falavam que quando era criança viram essa novela e que a música do circo ficou até hoje na cabeça deles. Em relação a “Marina” não tenho tantas lembranças boas, acho que não foi um trabalho que me marcou muito a não ser pelo fato de fazer uma tia do Laurinho Corona.



Escrito por No Mundo dos Famosos às 23h43
[] [envie esta mensagem
] []





Entrevista Especial com BEATRIZ LYRA

Jéfferson Balbino: Para a senhora, o que é mais gratificante na carreira de atriz?

Beatriz Lyra: Eu acho que o mais gratificante na carreira de atriz é viver várias vidas, costumo dizer que o ator vive sempre de fantasia, é uma eterna criança. No teatro, gosto muito da energia da plateia, aquela troca com o público, aquela comunicação, já em novela a emoção é mais cerebral não há aquele contato direto com o público. É legal quando você faz um personagem diferente de você e daí você tem que pesquisar para compor aquele personagem e daí você começa a enxergar certas coisas com um ponto de vista diferente do seu. Eu acho que isso ajuda a gente amadurecer nos tornando mais tolerantes, através dessa diferença de visões sobre um determinado assunto e isso é muito positivo para o ator quando ele consegue se dar conta disso.

Jéfferson Balbino: A senhora atuou em 8 novelas dos Manoel Carlos, inclusive ele já chegou a dizer que a senhora foi o amuleto da sorte dele. Como foi essa primorosa parceria com o nosso querido Maneco?

Beatriz Lyra: As personagens do Maneco são muito reais e isso é o mais interessante. Em “Baila Comigo” eu fiz uma insinuação na minha interpretação, o Lauro Corona e a Lídia Brondi eram meus filhos, como eu já havia trabalhado com o Laurinho em “Marina” eu já tinha muita sintonia e o Paulo Ubiratan, que era o diretor, mandava a gente começar improvisando antes de entrar no texto para esquentar e naturalmente aquilo não iria para o ar e era uma coisa muito boa que infelizmente eu não vi nenhum outro diretor fazer eu me lembro que depois ele começou a aproveitar uns 30 segundos de improvisação e como eu tinha mais intimidade com o Laurinho ficou muito crível e insinuei uma preferência pelo filho do que pela filha e o Maneco escreveu uma cena que ela fazia um carinho na filha porque a filha notava certa preferência da mãe pelo filho e eu não falei com o Maneco isso, mas depois percebi e isso é fascinante quando tem esse pingue-pongue com o autor. Fiz uma personagem fantástica com ele em “Novo Amor” pena que foi na Manchete e não poderá ser reprisada. E com esse negócio de ter que ir ao Projac e com a violência que anda no Rio, já fui assaltada dentro de um banco em Copacabana e querendo aproveitar um tempo pra mim já que trabalhei muito nessa vida, trabalhava de segunda a segunda, optei por interromper a minha carreira de atriz, mas a localização da Globo me deixou muito desanimada em continuar.

Jéfferson Balbino: Então a sua personagem na novela “História de Amor” o Maneco escreveu especialmente para a senhora, porque ela tinha uma agência de turismo, né?

Beatriz Lyra: Foi. Ele aproveitou essa coisa que ele sabia sobre mim (risos).

Jéfferson Balbino: E, entre essas 8 novelas que a senhora fez com o Maneco qual foi a que mais lhe marcou?

Beatriz Lyra: Eu tenho um carinho muito especial por “Baila Comigo”, tinha um elenco entrosadíssimo, nunca houve uma briga sequer no elenco como um todo, todos se gostavam, foi muito prazeroso. E também por “Sol de Verão” porque o Maneco me fez para fazer uma pobre diferente da que eu já havia feito em “Baila Comigo” sendo um desafio pra mim.

Jéfferson Balbino: E a senhora assistiu a reprise de “História de Amor” pelo Canal Viva?

Beatriz Lyra: Jéfferson, você acredita que só agora que consegui ver essa novela inteira?! Porque quando passou nas outras duas ocasiões eu estava trabalhando muito e não dava tempo de ver na integra, só um dia ou outro, até porque às vezes a novela estava no ar na televisão e a gente estava no estúdio gravando. Inclusive vi também a novela “Dancin’ Days” e estou vendo “O Dono do Mundo” (risos).

Jéfferson Balbino: E a senhora se revê com sentido de autocrítica?

Beatriz Lyra: Sim... Vejo e falo: “Como fiz mal essa cena” (risos). Naquela época os diretores não gostavam de deixar a gente ver depois que gravava a cena, mas é bom se ver para corrigir e fazer melhor. Lembro que no começo de “História de Amor” eu piscava muito o olho daí vendo a cena corrigi esse erro, por isso é bom ver as cenas quando a gente grava, mas agora eu me vendo muitos anos depois vejo como se estivesse vendo outra pessoa (risos).

Jéfferson Balbino: Aproveitando ainda o ensejo sobre “História de Amor”, como foi contracenar com a atriz Yara Côrtes?

Beatriz Lyra: Eu já tinha lidado com a Yara no teatro numa peça que fiz com a direção do João Bittencourt e na novela como estávamos em núcleos diferentes não contracenávamos muito, mas às vezes estávamos escaladas para gravar no mesmo dia e conversávamos muito no camarim, na época ainda morávamos perto, mas sempre admirei ela, sempre achei ela uma ótima atriz, principalmente, de comédia, porém, nosso convívio se deu mais fora de cena.

Jéfferson Balbino: A senhora também fez uma participação na novela “Guerra dos Sexos” (TV Globo/1985). Como foi dar vida a dona Gertrudes na versão original da novela do Silvio de Abreu?

Beatriz Lyra: Foi uma participação... Eu fiz participações em várias novelas dele. Não lembro se foi nessa novela que eu fiz uma participação ou em outra novela dele onde eu gravei uma cena que a Censura cortou trechos que considerava ser imorais, porém, depois do corte a cena que não tinha nada de imoral ficou ambígua ao ponto de ser maledicente, era uma cena que minha personagem ficava presa no banheiro, era maliciosa, e com o corte daí ficou tendenciosa (risos). Agora não lembro se foi na minha participação que fiz em “Guerra dos Sexos”, ou em “Ti Ti Ti”, ou talvez tenha sido em “Elas por Elas”...

Jéfferson Balbino: A senhora fez pouco Cinema, né? Por algum motivo em especial?

Beatriz Lyra: Eu sempre tive um pouco de insegurança em fazer Cinema. Mas fiz algumas coisas, fiz um filme que acabou não sendo levado ao ar, mas que era muito bom que tinha o [Armando] Bógus, porém, como o diretor faleceu antes de ser concluída as filmagens e a viúva dele não quis que fosse tocado em frente que era o “JJ – o Amigo do Super Homem” que era uma coisa engraçadíssima em ritmo alucinante, tipo história de quadrinhos. 

Jéfferson Balbino: A senhora também atuou na novela “Amor com Amor se Paga” (TV Globo/1984). Como foi seu contato com a autora dessa novela, a magistral Ivani Ribeiro?

Beatriz Lyra: Infelizmente eu não cheguei a ter contato com a Ivani Ribeiro até porque ela morava em São Paulo. Mais adorei participar dessa novela que tinha o Ary [Fontoura] e a Berta [Loram] que são atores fantásticos. E os atores que fizeram meus filhos: a Narjara [Turetta], o [Miguel] Falabella e a Cláudia Ohana. Também trabalhei com o Adriano [Reys] que depois eu fiz teatro também...

Jéfferson Balbino: E depois a senhora fez “Mandala” (TV Globo/1987), né?

Beatriz Lyra: Eu fiz, mas minha personagem teve problema nessa novela, porque era par do personagem do [Gianfrancesco] Guarnieri e ele ficou doente tendo que se afastar durante um tempo da novela e a linha que a minha personagem seguiria acabou não acontecendo, inclusive cheguei a gravar muita coisa que não foi ao ar e a história mudou um pouco.  Foi uma pena porque talvez a filha da minha personagem não seria do marido, mas são coisas que acontecem no nosso trabalho. É como a novela “Sol de Verão” que já estava vendida para Portugal quando começamos a gravar e devido à repentina morte do Jardel [Filho] que era o protagonista a novela também morreu, teve que ser interrompida e nunca nem foi reprisada. Eu acho que na carreira de ator conta muito o fator sorte e eu tive pouca sorte com “Mandala”, “Sol de Verão” e “Novo Amor”. Em “Mandala” a Irene Black, uma figurinista que já morreu, indicou meu nome para a Maria Carmem Barbosa e aí convidaram eu para fazer essa novela para o papel que a Célia Helena fez.

Jéfferson Balbino: E quais foram seus melhores trabalhos na televisão?

Beatriz Lyra: Acho que foi justamente em “Baila Comigo”, “Sol de Verão” e em “Novo Amor”, pena que nunca foram reprisadas... E o que não é reprisado a nova geração não tem conhecimento.

Jéfferson Balbino: Atualmente a senhora está novamente no ar com a reprise da novela “O Dono do Mundo” (TV Globo/1991). O que a senhora ressaltaria do texto do Gilberto [Braga]?

Beatriz Lyra: Eu fiz também com o Gilberto uma participação na novela “Brilhante”... Eu acho muito bom o texto do Gilberto, adoro as novelas dele, as novelas dele que trabalhei me deu muita sorte e projeção para a minha carreira como a “Escrava Isaura”, eu não tinha idade para o papel, pois eu era mais nova que o Rubens de Falco e fazia a mãe dele na novela e por isso tinha que por peso na voz, no gestual... E em “O Dono do Mundo” o núcleo da minha personagem era o que dava leveza a história... nessa novela eu fui paga para me divertir, pois era uma delicia trabalhar com o Claudio [Correia e Castro] ele era muito divertido, tanto que até ele contado casos dramáticos acontecidos na vida dele era muito divertido, às vezes, ele contava casos de quando ele descia de Petrópolis, ele morava lá, para gravar no Rio e o carro fundia no meu do caminho, a gente ficava com dó mas morria de rir pelo jeito que ele contava. Quase não tive externa nessa novela, acho que apenas uma, e eu sou uma atriz que não gosta de externa, pois é mais cansativo.

Jéfferson Balbino: Por falar em “Escrava Isaura” a senhora chegou a ver a atriz Norma Blum fazendo no remake da Record a personagem que foi sua na versão original?

Beatriz Lyra: Eu não vi quase nada… Acho que na época estava com teatro em São Paulo, lembro que vi somente uns 2 ou 3 capítulos, e não vi a Norminha fazendo a Ester, mas adoraria ter visto ela.

Jéfferson Balbino: A senhora como agente de turismo fez o roteiro internacional da primeira viagem da atriz Fernanda Montegro na Europa, né?

 

Beatriz Lyra: Eu fiz o roteiro da primeira viagem da Fernanda [Montenegro] pela Europa com a família, a Fernandinha e o Claudio pequenos. Fiz também o roteiro de férias para ela ir para Bariloche e para a Patagônia... Depois deixei o ramo de turismo, mas quando a encontrava, às vezes, ela pedia alguma dica ou me dizia alguma coisa que tinha visto.



Escrito por No Mundo dos Famosos às 23h42
[] [envie esta mensagem
] []





Entrevista Especial com BEATRIZ LYRA

 

Jéfferson Balbino: Que lugar do mundo a senhora nos indicaria para viajar? Um lugar que a senhora foi e que te marcou...

Beatriz Lyra: Não sei como a China está, antigamente ia pra lá uma vez por ano e cada vez que voltava estava diferente. Mas continuo apaixonada pela Europa: Roma, Paris, Londres... Porém, acho que o interior da Europa é fascinante, você subindo por lugares incomuns vê coisas lindas, o interior da Inglaterra subindo pra Escócia dá vontade de você embrulhar e trazer para casa, são coisas pequenas, intocada, lindas, não sei como eles conseguem manter, o interior da Alemanha é lindo, o interior da Itália, pro lado de Vicenza eu adoro, essas cidades menores que os turistas vão menos é sempre muito gratificante. Em matéria de viagens eu sou uma pessoa de sorte, comecei a viajar quando trabalhar com companhia aérea e depois com turismo. Eu tive a sorte de ver o quadro da Monalisa na época que se via de perto sem a barreira, sem o vidro protegendo, eu tive a sorte de ver a Capela Sistina, no Vaticano, numa época que era comum e se podia deitar no chão da Igreja para ver os afrescos sem ter toxicólogo. A gente tinha condição de fazer isso, tinha acesso normal nesses lugares. E hoje mesmo se tendo dinheiro ninguém tem condições de ver como eu vi... Mas voltando a responder a sua pergunta acho o interior da Europa riquíssimo em termo de cultura e artes e como não tem uma grande multidão de turistas nesses lugares ainda é possível explorar.

Jéfferson Balbino: Em Julho de 2014 eu tive no Vaticano e a fila para entrar na Capela Sistina estava tão quilométrica e como era o ápice do verão europeu eu cheguei a pegar um sol que queimou mais minha pele do que quando eu ando no calçadão de Copacabana (risos).

Beatriz Lyra: (risos) Pra você ver Jéfferson. Eu lembro que há muitos anos eu tinha visitado Prado e como eu gosto de voltar nos lugares que eu fui eu resolvi voltar, e fui no Museu e fiquei espantada quando me disseram que tinha tempo para ficar lá dentro até porque tinha outra multidão lá fora esperando para entrar sendo que a primeira vez que fui não teve nada disso. Então me considero uma pessoa de sorte em conhecer os lugares turísticos no momento que eu conheci.

Jéfferson Balbino: E se a senhora pudesse indicar um lugar no Brasil para alguém conhecer que lugar indicaria?

Beatriz Lyra: Eu conheci o Brasil trabalhando, viajei por muitos lugares aqui, mas nunca tinha ido às Cataratas do Iguaçú e fui como turista no ano passado. Uma amiga francesa esteve no Brasil e a gente fomos juntas e conhecemos as Cataratas que é uma coisa linda, impressionante, impactante e que indicaria para todos conhecer.

Jéfferson Balbino: A senhora acredita que eu moro em Jacarezinho, no Paraná, e nunca estive lá? (risos)

Beatriz Lyra: Sério? (risos). Sabe Jéfferson, eu adoraria voltar lá, mas não volto porque tem muitos mosquitos e eu sou alérgica a mosquitos (risos). E os mosquitos me morderam que minhas pernas e mãos incharam a ponto de eu não conseguir mexer os dedos. Mas faça essa viagem que é monumental, fui numa época das cheias e estava lindo.

Jéfferson Balbino: Obrigado pela dica... Agora me deu vontade de ir também. É que é aquela coisa, tudo que é perto da gente ir, a gente adia a ida...

Beatriz Lyra: Mas é bom que seja. Eu tenho experiência nisso, pois na minha idade quando eu penso em 12/13 horas de voo não me dá mais coragem. Eu tenho muita vontade conhecer Montevidéu só não fui ainda por conta das conexões, pois antigamente tinha voo direto, estou na esperança de voltar a ter voo direto pra lá. Eu adoraria a ir a San Petersburgo, mas abri mão de ir pelo desconforto da viagem, com exceção do que já conheci deixei o Brasil para depois e não me arrependo não.

Jéfferson Balbino: Então eu acho que estou seguindo o mesmo caminho que a senhora (risos), deve ser porque sou taurino igual à senhora (risos)...

Beatriz Lyra: (risos) É, talvez, seja característica do nosso signo.

Jéfferson Balbino: Suas últimas participações em novelas ocorreram em “Senhora do Destino” (TV Globo/2004) e em “O Profeta” (TV Globo/2006). A senhora sente falta de atuar na TV?

Beatriz Lyra: Acho que não Jéfferson, pois tenho noção de que a minha época já passou. Gostei demais, trabalhei numa coisa que eu gostava. Teatro, talvez, eventualmente eu faria, porque dá para se planejar, tem como ter um tempo para si, mas novela não tem como, pois você tem que estar 10 ou 11 meses a disponibilidade de gravação. Mas te confesso que embora eu goste muito de teatro acho que nem assim voltaria, pois fiquei mal acostumada, hoje em dia eu posso ir dormir às 3 da manhã que no dia seguinte posso dormir até mais tarde, fiquei preguiçosa da liberdade de fazer o que quero na hora que quero.

Jéfferson Balbino: No Teatro, qual foi o melhor espetáculo que a senhora fez?

Beatriz Lyra: A “Caixa de Sombras” era um elenco muito bom com a Lilia Lemmertz, a Yolanda Cardoso, o Ivan Mesquita, o Edney Giovenazzi... Foi uma personagem boa que fiz e tenho consciência disso. Esse foi seguramente meu melhor trabalho! Mas amei também fazer com a Eva Todor o musical “Chiquinha Gonzaga”, embora tenha sido um musical muito criticado, em partes justamente, mas em outras injustamente...

Jéfferson Balbino: Na televisão a maioria de suas personagens sempre foram mulheres ricas e sofisticadas. A senhora sente falta de não ter feito mais mulheres populares e pobres?

Beatriz Lyra: Fiz poucas mulheres pobres, mulheres populares, mas ainda fiz algumas. Agora o que sinto muita falta de não ter feito é vilã, pois é uma delicia de fazer. Em “Sol de Verão” aminha personagem era implicante, chata, mas não era vilã, porém, era um personagem rico, cheio de nuances...

Jéfferson Balbino: Que balanço a senhora faz da sua carreira?

Beatriz Lyra: Acho que foi um privilégio, um presente que a vida me deu eu ser atriz e ter podido viver várias personagens através de mim. Eu fazer o que gosto, foi o melhor da minha vida! Fiz muitos papéis bons no teatro também o que não me deixou a ficar rotulada. E eu não fiz marketing, nunca frequentei festas para me aparecer até porque eu não tenho temperamento para isso... O meu interesse maior, como atriz, sempre foi fazer um bom trabalho, isso era o suficiente, pois isso me deixava completamente satisfeita! Agora, quando eu olho para trás vejo que o meu objetivo foi alcançado!

Jéfferson Balbino: O que a senhora acredita ter sido sua maior contribuição para a história da teledramaturgia brasileira?

Beatriz Lyra: Não sei se contribui, mas acho que o público ter gostado de meu trabalho, de já ter chegado gente para mim e de ter me agradecido por uma determinada coisa que fiz com meu trabalho já é válido. Isso já é o suficiente para justificar a minha carreira e o meu trabalho...

Jéfferson Balbino: Quem são seus ídolos na teledramaturgia?

Beatriz Lyra: Autores: Gilberto Braga, Manoel Carlos, Silvio de Abreu, Aguinaldo Silva, adorei os capítulos de “Império” que vi, adorei ver a Lilia Cabral na novela! E de atores: a Irene Ravache, a Andréia Beltrão, o Mateus Solano, o Diogo Vilela, a Fernanda Montegro que é unanimidade, o Paulo Padilha que eu acho que você sequer ouviu a falar, mas eu tive a sorte de trabalhar com ele, o Gianfrancesco Guarnieri e o Paulo Gracindo.

Jéfferson Balbino: E como telespectadora, quais foram as melhores novelas que a senhora já assistiu?

Beatriz Lyra: As novelas do Lauro César Muniz: “Escalada” e “O Casarão” queria muito que fossem reprisadas. Também achei inesquecível a versão original de “Gabriela” com a Sônia Braga e o [Armando] Bógus. E as minisséries: “Mad Maria”, “Um Só Coração” da Maria Adelaide Amaral que é uma autora muito boa, as séries brasileiras são muito boas...

Jéfferson Balbino: O que a senhora acha sobre a velhice?

Beatriz Lyra: A velhice tem poucos pontos positivos, mas eu acho uma hipocrisia e uma cretinice sem fim chamar a velhice de melhor idade (risos). A velhice é um horror! Por isso que se você chegar bem na velhice daí você consegue ainda ter uma qualidade vida um pouco melhor... Eu já estou com 81 anos e tenho muito medo de Alzheimer, mas o médico me disse que se não deu até agora não vai dar mais tempo de dar antes deu morrer, tomara que ele esteja certo, porque acho isso muito triste tanto para a pessoa como para os familiares.

Jéfferson Balbino: Querida, muito obrigado por ter concedido essa entrevista para o “No Mundo dos Famosos”, foi muito bom resgatar momentos preciosos da teledramaturgia brasileira através da sua carreira. Muito sucesso e muita saúde, um grande abraço!

 

Beatriz Lyra: Obrigada Jéfferson, foi um prazer dar essa entrevista para você, um abraço!



Escrito por No Mundo dos Famosos às 23h39
[] [envie esta mensagem
] []





Ainda Hoje: Entrevista Especial com BEATRIZ LYRA



Escrito por No Mundo dos Famosos às 23h38
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]