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ARQUIVO - No Mundo dos Famosos
 


Entrevista Especial com ARACY CARDOSO

 

A “Entrevista Especial” que trago hoje para vocês “No Mundo dos Famosos” é com uma querida e talentosa atriz. Ela é uma das atrizes veteranas no oficio de representar, pertence à geração onde o talento era a base sólida que todo ator deveria possuir antes de chegar à televisão, ela pertence a “Escola Walter Avancini” que sugava o talento do ator com o objetivo de despertar e explorar sempre o seu melhor. Não é por mero acaso que ela sempre será uma respeitada atriz desse país. Minha entrevistada de hoje é a querida atriz ARACY CARDOSO.

“Em televisão eu fiz o que toda atriz gostaria de ter feito, tive boas oportunidades e bons diretores”

(Aracy Cardoso)

Jéfferson Balbino: Aracy, como surgiu seu interesse pela carreira de atriz? Houve influência de alguém nessa sua escolha?

Aracy Cardoso: Embora a minha mãe fosse atriz não foi por causa dela que eu quis seguir essa profissão, pois isso é uma escolha que cabe a gente resolver. Acho que meu interesse surgiu a partir do momento que eu estudava piano e depois dança, acho que isso me motivou e acabou me levando para carreira de atriz.

Jéfferson Balbino: E o que é menos prazeroso dessa profissão?

Aracy Cardoso: Eu não diria menos prazeroso, porém, mais difícil que é a instabilidade, viver fazendo testes, às vezes, não passando. Não é uma carreira, salvo exceções, tão promissora quanto parece.

Jéfferson Balbino: Seus primeiros trabalhos em teledramaturgia aconteceram nas novelas das extintas emissoras, Tupi e Excelsior, como foi trabalhar nessas lendárias e pioneiras emissoras?

Aracy Cardoso: Eu comecei a trabalhar na TV Tupi onde eu fazia uma novela das 17 horas, fiz várias novelas com a Ilze Silveira, fiz também lá a novela “Morro dos Ventos Uivantes”, “Amor de Perdição”, “A Canção de Bernadete”... Depois fui para a TV Excelsior, foi uma fase muito boa da minha vida. Mas não vejo diferença em trabalhar nessa ou naquela emissora, por todas as emissoras que passei foi um momento feliz.

Jéfferson Balbino: Sua estreia na teledramaturgia da TV Globo aconteceu na novela “Fogo sobre Terra” (1974). Como foi trabalhar nesse sucesso da televisão brasileira?

Aracy Cardoso: Foi muito bom, principalmente por causa da direção do [Walter] Avancini que eu já havia feito várias novelas antes como: “A Megera Domada”, “As Bruxas”, da Ivani Ribeiro, e depois fiz “Selva de Pedra”.

Jéfferson Balbino: E o [Walter] Avancini era um diretor tão severo como reza a lenda?

Aracy Cardoso: Ele era exigente, não vou dizer severo... Ele tinha as exigências, as escolhas dele, tinha um trabalho muito profissional. Tínhamos apenas uma hora de intervalo para fazer tudo: almoçar, descansar e trocar de roupa. Como ele não almoçava não admitia ficar muito tempo esperando os atores para ensaiar e gravar. Ele exigia que chegássemos à emissora com o texto estudado e decorado. Mas era a maneira de trabalhar dele... A novela “A Megera Domada” que eu fiz com ele era uma obra-prima, uma novela de época linda...

Jéfferson Balbino: E como surgiu o convite para a senhora atuar na novela “Vejo a Lua no Céu” (TV Globo/1976)?

Aracy Cardoso: É porque eu havia feito muita coisa com o Herval [Rossano] e daí por isso o [Fábio] Sabag me convidou. O Herval também era um diretor muito exigente (risos) até porque naquela época diretor tinha muito poder de escolha e etc... Foi uma novela linda, nessa época era feito muita novela das seis baseada em livros e tinha um elenco belíssimo como a Tamara Taxman, o Eduardo Tornaghi que está com aquela barba enorme hoje em dia (risos).

Jéfferson Balbino: Quando a senhora atua numa novela baseada numa obra literária como foi o caso dessa, a senhora procura ler a obra original ou deixa se guiar apenas pelo roteiro da novela?

Aracy Cardoso: Eu procuro ler o livro que a originou também até porque a novela por ser uma obra aberta que fica a mercê do agrado do público não é cem por cento fiel a história adaptada, por isso procuro ler para ter ideias para compor a minha personagem...

Jéfferson Balbino: A senhora protagonizou a novela “À Sombra dos Laranjais” (TV Globo/1977) que era uma trama escrita inicialmente por Sylvan Paezzo e que depois passou a ter a autoria de Benedito Ruy Barbosa. Quando houve essa troca de autores a senhora sentiu diferença no texto? Chegou a te atrapalhar o desenvolvimento que a senhora estava dando para sua personagem?

Aracy Cardoso: A mudança aconteceu porque o Sylvan estava muito doente e depois acabou morrendo. Não digo que atrapalha porque o autor que substitui tem que seguir a mesma linha que o anterior estava seguindo, mas a gente senti sim diferença no texto e quando é uma personagem secundária pode sentir diferenças mais bruscas e até atrapalhar o interprete já que cada autor tem a sua preferência ainda mais quando herda a autoria de uma novela, pois daí querem mostrar que são melhores que o outro, o que é de certo modo uma coisa natural, então modifica um pouco, mas não atinge o grande público.

Jéfferson Balbino: O que lhe é mais gratificante na carreira de atriz?

Aracy Cardoso: Para mim o mais gratificante na carreira de atriz é você poder representar várias vidas, você poder se integrar com pessoas diferentes, você poder estudar vários temas que serão abordados no seu personagem. Em televisão eu fiz o que toda atriz gostaria de ter feito, tive boas oportunidades e bons diretores. E as coisas não acontecem sempre porque a gente vai ficando mias velha e o nível de exigência dos autores aumenta cada vez mais.

Jéfferson Balbino: A senhora também fez parte do elenco da novela “Nina” (TV Globo/1977) que foi uma novela que o autor Walter George Durst escreveu as pressas já que sua trama, “Despedida de Casado”, havia sido censurada. A senhora também estava no elenco reaproveitado da novela censurada?

Aracy Cardoso: Não... Eu fui escalada para fazer uma participação na nova novela que ele escreveu, diferente de boa parte do elenco que estava na novela anterior do Durst e foi reaproveitado. Fiz essa novela a convite do Avancini...

Jéfferson Balbino: Um dos seus trabalhos marcantes na televisão ocorreu na novela “Água Viva” (TV Globo/1980) que foi até reprisada recentemente pelo Canal Viva. Como foi contracenar coma magistral atriz Eloísa Mafalda e também com o Mauro Mendonça e a Lucélia Santos?

Aracy Cardoso: Essa novela teve a co-autoria do Manoel Carlos... Eu, a Eloisa, o Mauro e a Lucélia se juntamos para bater texto, estudar o texto junto, sem interferência da direção. E ficou crível aquele núcleo, aquela família no ar...

Jéfferson Balbino: E aquela sintonia que vocês tinham em cena se transformou em amizade na vida real?

 

Aracy Cardoso: Eu fiz muitos amigos na televisão, sempre que posso reúno um grupo de seis ou sete pessoas e faço um almoço aqui em casa para relembrarmos de tantos tempos bons que já ficaram para trás. É claro que o núcleo que a gente está inserido numa novela, ou seja, os atores que a gente contracena a gente procura ter uma liame, um carinho mais aprofundado, uma sintonia e afinidade maior do que com o resto do elenco... Fiquei muito amiga do Jardel Filho quando fizemos “Memórias de Amor”, ele sempre achava que tinha problema de memória, dificuldade para decorar os textos e pedia que eu o ajudasse (risos), era um ator primoroso, chegava sempre antes de todo mundo na emissora, para se trocar, vestir o figurino e se concentrar nas falas do personagem dele...



Escrito por No Mundo dos Famosos às 22h34
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Entrevista Especial com ARACY CARDOSO

 

Jéfferson Balbino: Na novela “O Amor é Nosso” (TV Globo/1981) a senhora deu vida a Anita que era mãe do personagem do Fábio Jr. O que a senhora destacaria desse trabalho?

Aracy Cardoso: Adorei trabalhar nessa novela que era escrita pelo Walter Negrão... Também fazia a mãe do Fábio que além de ótimo cantor é muito bom como ator.

Jéfferson Balbino: E como foi trabalhar com a saudosa atriz Elza Gomes na novela “Final Feliz” (TV Globo/1982)?

Aracy Cardoso: Ela era uma fofura, uma graça de pessoa, fazia uma mulher que vendia coelhos... Era uma atriz de outra geração que nos ensinava muito, pois aprofundava com suas personagens.

Jéfferson Balbino: Outro trabalho marcante da senhora aconteceu em “A Gata Comeu” (TV Globo/1984) também de autoria da Ivani Ribeiro. A senhora chegou a ter um contato próximo com essa renomada novelista?

Aracy Cardoso: Sim... A primeira novela com ela que fiz foi “A Megera Domada”, depois fiz “As Bruxas”, que tinha um elenco impecável como o Walmor Chagas, o Carlos Zara, o Tony Ramos, a Maria Della Costa... Antigamente, não havia muito contato do ator com o autor da novela com tem hoje onde muitos atores procura ter contato com o autor para ver se a personagem vai melhor, ter mais falas... Eu fui uma vez na casa da Ivani com o Avancini e ela foi muito educada, muito afável, mas não tive intimidade, apenas um relacionamento cordial. E “A Gata Comeu” foi uma novela fantástica, gostosa de fazer, trabalhei com o Oberdan [Júnior] e com o Dalton [Mello] que nessa época eram garotinhos e agora já estão homens (risos).

Jéfferson Balbino: A senhora teve também no elenco da novela “De Corpo e alma’ (TV Globo/1992) que foi uma trama que marcou mais pela tragédia ocorrida nos bastidores do que pela trama em si. Como a senhora reagiu ao saber da morte de sua colega de elenco, a atriz Daniela Perez?

Aracy Cardoso: Essa menina era um amor de pessoa. Foi uma surpresa quando eu cheguei para gravar e soube de uma tragédia dessas. Senti muito por ela, pela mãe dela, a Glória Perez que apesar de sofrer muito foi forte e continuou escrevendo a novela sozinha.

Jéfferson Balbino: A senhora acredita que a teledramaturgia pode ser considerada um espelho da sociedade brasileira?

Aracy Cardoso: Deveria... Mas de uma maneira geral, a telenovela brasileira piorou muito, se perdeu... É como o Lauro César Muniz fala as novelas tem que ser mais curtas, não ter tantos capítulos como continuam tendo, pois se perder no meio do caminho, as histórias ficam com ‘barrigas’ e com isso a qualidade caí. Hoje os autores querem colocar todos os temas polêmicos nas novelas se esquecendo que tem ainda público conservador.

Jéfferson Balbino: Por falar no nosso querido Lauro César Muniz, a senhora trabalhou numa novela de autoria dele que foi “Zazá” (TV Globo/1997). O que a senhora ressaltaria do texto desse maravilhoso novelista?

Aracy Cardoso: Ele é um grande autor de novelas. Para mim ele e o diretor Luiz Fernando Carvalho são os maiores em termos de telenovela. O Lauro é o autor da novela “O Casarão” que pra mim foi uma das melhores novelas feitas até hoje no Brasil.

Jéfferson Balbino: A senhora que também já atuou em minisséries, como: “Incidente em Antares” (TV Globo/1994) e “A Casa das Sete Mulheres” (TV Globo/2003)... Por ser uma obra fechada é melhor para o ator atuar em minissérie do que em novela?

Aracy Cardoso: Eu acho que se o papel é bom não importa o meio que a gente esteja atuando. É sempre interessante atuar num formato de minissérie ainda mais quando tem um texto bom como foi o caso dessas minisséries.

Jéfferson Balbino: O que a senhora acredita ter sido sua maior contribuição para a história da teledramaturgia?

Aracy Cardoso: Eu acho que meu profissionalismo, a minha dedicação, o meu empenho, a minha seriedade. Coisas que ainda falta em muitos atores que estão aí fazendo uma carreira meteórica.

Jéfferson Balbino: Que avaliação a senhora faz dos seus trabalhos na teledramaturgia da Record que foi onde a senhora fez dois belíssimos trabalhos: “Bela, a Feia” (2009) e “Dona Xepa” (2013)?

Aracy Cardoso: Eu gosto muito de trabalhar na Record, o profissionalismo e a dedicação deles me impressionam, talvez por eles não serem os primeiros - o que eu acho uma bobagem porque alguém tem que ser o segundo, o terceiro no Ibope – eles se empenham muito em fazer bem feito, levar um produto de qualidade para o grande público.

Jéfferson Balbino: A senhora é uma atriz que assiste novelas também?

Aracy Cardoso: Eu gosto sempre de ver o que estão fazendo, eu posso não acompanhar sempre, mas vejo sempre que posso.

Jéfferson Balbino: E quais foram as melhores novelas que a senhora já assistiu?

Aracy Cardoso: As novelas que eu fiz (risos)... Principalmente as que eu fiz com o Avancini, pois sempre deixaram uma marca, ele foi um diretor que ensinava muito pelo simples fato de convivermos com ele.

Jéfferson Balbino: O que a senhora pensa sobre a velhice? O que a senhora acha de envelhecer na TV?

Aracy Cardoso: Eu acho terrível envelhecer na TV (risos). Mas temos muitas atrizes na ativa como a Nathália [Timberg] e a Fernanda [Montenegro] e outras que estão trabalhando, fazendo bons papéis, algumas endeusadas demais, outras menos... Porém, são mulheres que tem talentos e que levam a sério suas carreiras. Eu vi nesses dias atrás a novela “Império” onde a Laura Cardoso fez uma participação divina no auge dos seus 87 anos de idade, precisa ter gente mais velha em novelas, não pode ter só gente nova, não pode ter só rostinho bonito ou plastificado.

Jéfferson Balbino: A senhora é uma atriz com uma beleza muito perceptível...

Aracy Cardoso: A gente faz o que pode (risos), gosto de fazer papeis compatíveis com a minha idade. Em relação à beleza procuro sempre estar em forma fazendo ginástica e aula de canto.

Jéfferson Balbino: Dona Aracy quero muito te agradecer por conceder essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos”, muito obrigado por tudo que a senhora fez em prol da teledramaturgia brasileira e por ter povoado nosso imaginário com tantas personagens marcantes... Um abraço e muito sucesso!

 

Aracy Cardoso: Muito obrigada Jéfferson, um abraço!



Escrito por No Mundo dos Famosos às 22h32
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Ainda Hoje: Entrevista Especial com ARACY CARDOSO



Escrito por No Mundo dos Famosos às 22h25
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