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ARQUIVO - No Mundo dos Famosos
 


Entrevista Especial com VIDA ALVES

 

Depois de umas merecidas férias estamos de volta trazendo para vocês leitores do “No Mundo dos Famosos” a primeira “Entrevista Especial” do ano de 2015. E a primeira entrevistada foi à primeira atriz a protagonizar um beijo em novelas que ocorreu em 1951 na trama “Sua Vida me Pertence”. Atualmente essa veterana atriz se dedica na preservação da história da televisão brasileira presidindo a Pró-TV (Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira), uma associação com profissionais pioneiros que luta para preservar a memória dessa instituição nacional tão importante na vida dos 202 milhões de brasileiros. Minha primeira entrevistada do ano é a atriz VIDA ALVES.

“Tem que ter beijo gay nas novelas, afinal à gente tem que ir se habituando às modernidades, porém, eu acho que os autores de novelas estão abusando um pouco ao colocar como curiosidade em toda novela.”

(Vida Alves)

Jéfferson Balbino: Dona Vida, como surgiu seu interesse pela carreira de atriz? Teve influência de alguém nessa sua escolha?

Vida Alves: Na verdade Jéfferson, o meu pai era poeta,e embora estivesse morando em Minas [Gerais] por motivo de doença ele era carioca, era engenheiro e era ligado a vários outros poetas. Quando ele se mudou para Minas e casou com a minha mãe ele já dirigia um ginásio e montou vários concursos de poesias então a arte já era da minha família, pois os meus tios, irmãos de meu pai, eram diretores de escolas de arte no Rio de Janeiro, um outro era pintor, tinha um advogado que era poeta, enfim eram todos ligados a arte que era algo presente na minha família. Quando a minha mãe ficou viúva e eu vim para São Paulo com ela para morar na casa de minha avó, a minha mãe aos 32 anos ficou viúva e com 5 filhos para criar e com muitas dificuldades e embora a casa do meu pai fosse muito moderna ela a vendeu, mas gastou muito no tratamento da doença dele. Quando eu tinha 10 ou 11 anos a minha mãe reuniu os 5 filhos, eu era a segunda mais velha, e ela nos disse que precisaríamos arrumar trabalho para ajudá-la, pois estava muito difícil. Nessa época eu morava na Avenida Brigadeiro, na Bela Vista, perto da Rádio São Paulo e daí eu e a minha irmã menor, a Poema Alves, fomos até a Rádio São Paulo fazer teste de rádio-atriz, ela foi aprovado, mas eu não fui. Após isso eu insisti a ponto de fazer outros testes até conseguir ganhar um papel numa novela de rádio, era um papel de menino, e fui fazer o Raulzinho na novela “A Vingança dos Judeus, em 1941. E foi a partir daí que comecei a minha vida profissional, ganhei um pequeno cachê ao contrário da minha irmã que havia sido contratada e fazia todos os papéis de crianças nas rádionovelas enquanto eu eventualmente fazia, porém, eu era persistente e permaneci sempre. A minha irmã ao se casar saiu da rádio e eu fiquei e com uns 18 anos eu fui para a Rádio Tupi e o Assis Chateaubriand que era dono das Emissoras Associadas resolveu colocar todos os atores que faziam rádio a fazerem também televisão, então no meu contrato de trabalho que antes constava como função apenas atriz a partir desse momento constava: atriz, produtora, redatora, ou seja, fui fazer várias coisas na televisão e sem ganhar nada a mais por isso. E isso aconteceu com muita gente nessa época inclusive com o Lima Duarte. Eu entrei para a televisão de maneira natural, mas também por necessidade e vocação.

Jéfferson Balbino: E como surgiu o convite para a senhora fazer a novela “Sua Vida me Pertence” (TV Tupi/1951)?

Vida Alves: Eu me casei no ano que foi inaugurada a televisão, engravidei na lua-de-mel e tive filho um mês depois que foi inaugurada a televisão, por isso eu não participei do dia na inauguração. Quando estavam começando os preparativos para produzir essa novela o Walter Foster achou que eu era uma cara boa para aparecer e como teria um beijo isso me custou para aceitar até porque o diretor geral achou que eu por ser uma moça casada seria difícil eu aceitar, mas ele conversou com o meu marido que era um engenheiro italiano e como lá na Itália havia beijo em cinema, teatro e televisão, diferente daqui do Brasil que a gente mal via beijo na rua, o beijo na novela seria uma coisa muito forte, mas tanto meu marido quanto os diretores da Tupi sabiam que eu não faria desse beijo algo vulgarizado, mas sim uma coisa técnica.

Jéfferson Balbino: E a senhora sofreu algum tipo de preconceito por protagonizar uma cena tão forte para os padrões da época?

Vida Alves: É importante frisar que nessa época não havia fabrica de aparelhos de televisão no Brasil, inclusive meu marido teve uma pequena fábrica de televisão, até quando o Assis Chateaubriand criou a televisão brasileira ele esqueceu que aqui no Brasil não se produzia televisores, os ricos importavam os aparelhos que nessa época custavam o preço de um carro. Sendo assim o número de telespectadores era pequeno e muitos nem viram essa cena, diferente de hoje que em casa de uma família pobre tem até mais de um aparelho e como rico não é de demonstrar sentimentos os ricos que tinham televisores nessa época não se importaram. Depois dessa novela fiz à gostosa e não atendia a Imprensa (risos)...

Jéfferson Balbino: Mas a família da senhora não achou estranho a senhora encenar um beijo com outro homem que não fosse seu marido?

 

Vida Alves: Uma vez no Museu de Artes de Oficio um tio meu fez uma peça onde fazia um nu artístico, ou seja, a minha família já estava habituada com todas as manifestações de arte. Lá em Minas meu pai lançou uma revista que tinha como um dos colaboradores o Carlos Drummond de Andrade, então tínhamos uma convivência literária e artística desde criança.



Escrito por No Mundo dos Famosos às 14h14
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Entrevista Especial com VIDA ALVES

Jéfferson Balbino: O primeiro beijo da televisão brasileira que a senhora protagonizou teve a mesma polêmica e repercussão do beijo gay que teve recentemente em novelas da Globo?

Vida Alves: Teve, porém, com a diferença de números já que naquela época havia menos Imprensa, menos telespectadores, menos pessoas nos assistindo.

Jéfferson Balbino: E a senhora imaginava que essa história do primeiro beijo marcaria a história da teledramaturgia brasileira?

Vida Alves: eu não imaginava que após 63 anos eu ficara marcada como a atriz que protagonizou o primeiro beijo numa novela de televisão (risos) até porque eu fiz tanta coisa depois disso.

Jéfferson Balbino: Como à senhora que é uma das pioneiras na história da televisão brasileira, inclusive sendo também a primeira atriz ao lado de Geórgia Gómide a protagonizar um beijo entre pessoas do mesmo sexo na TV, vê todo esse reboliço em torno do beijo gay nas novelas?

Vida Alves: Tem que ter beijo gay nas novelas, afinal à gente tem que ir se habituando às modernidades, porém, eu acho que os autores de novelas estão abusando um pouco ao colocar como curiosidade em toda novela. Não é assim em todas as casas, não é assim em todas as famílias, mas eu respeito tudo aquilo que existe, não tenho nada contra, mas creio que os autores estão forçando colocando em todas as novelas usando isso como um chafariz de audiência.

Jéfferson Balbino: Qual a importância que a telenovela ocupa na cultura brasileira?

Vida Alves: A telenovela ocupa uma importância muito grande na cultura brasileira, depois que sai da televisão eu viajo bastante pelo Brasil inteiro ministrando cursos de comunicação, fiz com a Associação que eu presido duas exposições, uma em parceria com a Globo em 14 capitais e outra em parceria com a secretária de cultura onde fiz mais outras dez cidades e a gente percebe como a televisão ensinou as mulheres pobres a vacinar os filhos, a amamentar mais os filhos, a se proteger, a denunciar através das delegacias de mulheres, ou seja, a televisão distrai e educa e é obrigação dela fazer isso.

Jéfferson Balbino: Quando a senhora atuava em novelas como era seu envolvimento afetivo com suas personagens?

Vida Alves: Eu gostava muito de fazê-las, era um trabalho gostoso, mas quando acabava não ficava melancólica porque havia acabado. Eu sou formada em Direito e quando fui trabalhar na aérea de direito de família eu detestei (risos) porque aquilo era de verdade e a novela de mentirinha e era mais gostoso porque você faz e se envolve, ou seja, as personagens eram fortes, mas temporais. Eu tive e ainda tenho uma vida intensa...Escrevi muitos livros, muitas novelas para o rádio, fiz TV de Comédia, fiz também TV de Vanguarda. Saí da Tupi por conta de uma bobeira já que o Cassiano Gabus Mendes me deu um atestado liberatório e depois um diretor das Emissoras Associadas me processou e, claro, perdeu o processo, afinal eu tinha um atestado que me liberava do diretor artístico.

Jéfferson Balbino: E porque a senhora desistiu da sua carreira de atriz?

Vida Alves: Porque eu fiquei viúva e meus filhos estavam naquela fase de ingressar na faculdade, a Tupi faliu, a Excelsior faliu, a Record e a Band pegaram fogo e estava todo mundo indo trabalhar na Globo. Eu não queria ficar indo e vindo de São Paulo para o Rio, pois sentia que meus filhos precisavam de mim e que eu tinha que estar com eles, por isso acabei optando por ficar em São Paulo. E fiquei em São Paul onde eu criei um curso e tomei outro caminho na vida...

Jéfferson Balbino: Mas a senhora tem saudade de voltar a atuar na TV?

Vida Alves: É claro que no começo, logo quando abandonei a carreira, eu sentia mais saudade, mas foi passando e como agora estou com esses trabalhos em comunicações fui criando um outro, um novo coração e aquele coração artístico foi ficando guardado.

Jéfferson Balbino: Então se hoje a senhora fosse convidada para atuar numa novela a senhora recusaria o convite?

Vida Alves: Sim, já até recebi alguns poucos convites para voltar atuar na TV e que recusei, e eles não gostam quando a gente recusa e por isso agora nem me convida mais (risos).

Jéfferson Balbino: Recentemente eu assisti novamente a minissérie “Um Só Coração” (TV Globo/2004) e achei linda a sua participação. Como foi se ver representada numa obra televisiva?

Vida Alves: Foi muito gostoso, muito emocionante saber que ainda sou reconhecida. Percebo que muitas pessoas da minha idade que não estão na Globo estão sendo esquecidas e eu não e isso me anima para segurar e lutar pela memória da história da televisão brasileira e esse trabalho para mim que tem 86 anos vale mais do que ser artista o trabalho que eu faço é muito mais gostoso.

Jéfferson Balbino: A senhora ainda se sente atriz ou sente mais essa vanguardista televisiva?

Vida Alves: Eu sinto como se fosse o puxador do vagão televisivo e que me da uma trabalheira (risos)...

Jéfferson Balbino: Durante a sua carreira houve algum caso engraçado envolvendo a senhora e o público?

Vida Alves: Sim... Só não sei se engraçado ou triste, classifique como quiser... Uma vez eu fiz uma chinesa e para minha sorte compraram uma roupa, já que no começo não tinha nem figurino para os atores, os atores que tinham que levar, mas compraram essa roupa com uma piteira de uma espécie de chifre de boi e eu treinei para ascender o cigarro 30 centímetros a frente da minha cara e eu escutei o Cassiano Mendes me chamar e falou para mim me olhar e quando me olhei vi que havia caído à calça e eu estava somente com o blusão chinês, todo mundo riu, cortou o som do estúdio e eu amarrei a calça, fizeram um intervalo e recomeçamos (risos).

Jéfferson Balbino: Como é o seu trabalho como presidente da Pró-TV?

Vida Alves: Eu faço um trabalho cultural, guardando a imagem dos 12 primeiros anos que a TV era ao vivo, já que esse material não ficou guardado. Faço as exposições pelo Brasil e mundo a fora, redijo biografias onde já fiz 4.000 mil biografas de atores, maestros, cantores... Recebo estudantes que pesquisam sobre televisão e cuido para manter as informações no espaço que temos na Cidade da Criança em São Bernardo do Campo.

Jéfferson Balbino: Que balanço a senhora faz desses quase 65 anos da TV brasileira?

Vida Alves: As mulheres brasileiras, para não dizer o povo todo, mudaram a partir da televisão que as ensinou até a brigar.

Jéfferson Balbino: E quais são suas perspectivas em relação ao futuro da TV brasileira?

Vida Alves: Eu sei lá (risos), não penso muito no futuro, só penso que em quanto eu tiver forte, com o coração bom, a cabeça boa e barriga boa eu vou continuar fazendo esse meu trabalho em manter e resgatar a memória da TV brasileira.

Jéfferson Balbino: Qual foi seu maior ídolo da televisão?

Vida Alves: O Cassiano Gabus Mendes que se tornou diretor artístico fazendo a programação da TV Tupi aos 22 anos de idade. Tanto que quando dou palestra aos jovens pergunto quem deles tem 22 anos e pergunto se eles seriam capazes de carregar a televisão nas costas, nessa época todos nós éramos muito jovens, o Walter Foster com 30 anos que era um ancião (risos).

Jéfferson Balbino: E a senhora gosta de assistir novelas?

Vida Alves: Como eu fico sozinha por bastante tempo só me resta assistir novelas (risos).

Jéfferson Balbino: E quais foram às melhores novelas que a senhora já assistiu?

Vida Alves: Assisti algumas muito boas e algumas que achei muito chatas... Não ando gostando muito dessas novelas atuais porque acho que os autores estão apelando muito com a maldade dando muita ênfase para os personagens maus. Tem que ter personagens maus? Tem! Mas não dessa maneira.

Jéfferson Balbino: Dona Vida muito obrigado por conceder essa entrevista para o “No Mundo dos Famosos” e por tudo que a senhora faz em prol da memória da Televisão Brasileira. Muita saúde e sucesso em sua proposta... Um grande abraço!

 

Vida Alves: Agora você falou gostoso Jéfferson, pois eu faço realmente alguma coisa em prol da televisão. Sou viúva e tenho espaço para reunir pessoas com esse mesmo objetivo então não me resta outra coisa a não ser fazer isso. Não é fácil, pois além de tempo gasta dinheiro, mas eu sou determinada no que faço (risos). Saiba que foi um prazer falar com você, dar essa entrevista para você e espero que um dia a gente se encontre para falar mais sobre a nossa TV, um abraço!



Escrito por No Mundo dos Famosos às 14h12
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Ainda Hoje: Entrevista Especial com VIDA ALVES



Escrito por No Mundo dos Famosos às 14h10
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