Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




ARQUIVO - No Mundo dos Famosos
 


Entrevista Especial com LÉA GARCIA

 

Hoje eu tenho a honra de entrevistar aqui “No Mundo dos Famosos” uma das atrizes mais talentosas do nosso Brasil. Ela já fez trabalhos memoráveis no Teatro, no Cinema e na TV e em cada trabalho deixou sua inconfundível marca. Minha “Entrevista Especial” é com a magistral atriz LÉA GARCIA.

“A atriz negra chega numa certa idade e não é mais escalada pra fazer novela enquanto a atriz velha branca esta trabalhando. A atriz negra só é chamada para fazer escrava, bunduda, peituda e gostosa...”

(Léa Garcia)

Jéfferson Balbino: Léa, como surgiu seu interesse pela carreira artística?

Léa Garcia: Eu queria era ser escritora e foi a partir disso que me veio à vontade de ser atriz, porque até então eu nunca havia pensado em ser atriz... E o Aby Dias que dizia pra mim sobre a possibilidade de ser atriz e ele fez um espetáculo chamado “A Episodia Negra” e eu pisei no palco e gostei e estou aqui até hoje. Trilhei esse caminho na minha trajetória...

Jéfferson Balbino: Sua estreia na teledramaturgia ocorreu na novela “Acorrentados” (TV Rio/1969). Como foi essa primeira experiência na televisão?

Léa Garcia: Foi muito boa porque eu estava cercada de pessoas incríveis como a Dina Sfat, a Leila Diniz e a Monah Delacy e pra mim foi bom porque eu estava participando de um trabalho onde eu fazia uma freira...

Jéfferson Balbino: Então não houve dificuldade por você estar estreando novo veiculo?

Léa Garcia: Não Jéfferson, não houve! Pois embora seja um veiculo diferente de representar, mas o caminho é semelhante. Eu conhecia todo mundo, nos dávamos bem, foi muito gratificante atuar nesse trabalho.

Jéfferson Balbino: E como foi atuar nas novelas: “Selva de Pedra” (TV Globo/1972) e “Fogo Sobre Terra” (TV Globo/1974) ambas escritas pela magistral novelista Janete Clair?

Léa Garcia: Pra mim “Selva de Pedra”, “Fogo Sobre Terra” e “O Homem que deve Morrer” foram textos maravilhosos que pude representar na televisão, porque a Janete Clair sempre será uma grande novelista. Eu tive a sorte de ter feito esses trabalhos com ela, pois foram trabalhos muito importantes na minha trajetória artística.

Jéfferson Balbino: E nos bastidores você tinha um contato próximo com essa magnifica autora?

Léa Garcia: Sim, todos os finais de ano a gente passava na casa da Janete ali na Lagoa [Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro], o Ano Novo, e era uma festa onde reunia eu e todos os atores da minha geração.

Jéfferson Balbino: Pra você, o que é mais gratificante na carreira de atriz?

 

Léa Garcia: O mais gratificante pra mim na carreira de atriz é poder representar, é viver várias vidas numa vida só, vivenciar pessoas diferentes...



Escrito por No Mundo dos Famosos às 17h40
[] [envie esta mensagem
] []





Entrevista Especial com LÉA GARCIA

 

Jéfferson Balbino: Como foi o processo de composição da Duda, sua personagem na novela “A Moreninha” (TV Globo/1975)?

Léa Garcia: Fui dirigida pelo Herval Rossano, era uma personagem muito interessante... Compor não é difícil, porque apesar dos anos o período da escravidão ainda está muito próximo. Então essa lembrança tabica ainda existe muito forte dentro da gente por mais que a gente queira negar. E por isso é muito fácil de compor isso, o que eu acho muito bom foi que eu criei o cabelo daquela personagem, eu fui no salão e fiz uma trança toda envolta da cabeça, uma trança muito nativa e botei umas ervinhas de santa Maria na trança formando um caracol e fui com um lenço e perguntei para as meninas do elenco, como a Monique Lafond para ver o que elas achavam e elas acharam ótimas, mas eu estava com medo do Herval ver e quando ele viu ele me disse que era justamente o cabelo que ele pensou para aquela personagem.

Jéfferson Balbino: Você compõe suas personagens exteriormente, como foi o caso dessa, ou internamente?

Léa Garcia: Isso varia de acordo com a personagem, pois tem personagens que é só exterior e outros que não, pois são subjetivos. Então isso varia muito de personagem para personagem. Quando faço uma personagem mais introspectiva tenho que fazer um estudo mais profundo.

Jéfferson Balbino: E o Herval Rossano era um diretor muito severo como reza a lenda?

Léa Garcia: Eu sempre me dei muito bem com o Herval e nunca o achei rígido, mas rígido era o [Walter] Avancini. Nunca tive problema com colegas de trabalho (risos).

Jéfferson Balbino: A que você atribui o imenso sucesso da escrava Rosa da versão original da novela “Escrava Isaura” (TV Globo/1976)?

Léa Garcia: O sucesso que eu atribuo é devido o fato de ser uma personagem antagônica numa novela onde as personagens não tinham essa dualidade humana, porque na vida real ninguém é inteiramente mal e nem inteiramente bom e nessa novela os personagens não tinham essa dualidade humana e a Rosa que tinha a característica da maldade, aliás, uma vez quando eu estive em Cuba eu disse que se a Rosa tivesse um pouco mais de cultura e se fosse numa novela atual ela não seria vista como uma mulher má, mas sim uma mulher que talvez encabeçaria algum movimento negro porque ela se pergunta o porque uma escrava branca tinha mais privilégios que a outra. Nem a Santa e nem a Rita tinham o privilégio da Isaura então no fundo é um texto racista.

Jéfferson Balbino: A escrava Rosa da novela “Escrava Isaura” lembra muito a Xica da novela “Xica da Silva” (TV Manchete/1996) que inclusive você também participou. Porque a Rosa, assim como a Xica eram escravas audaciosas que não se sujeitavam a submissão imposta pelo sistema...

Léa Garcia: Justamente... A Rosa por não ter os privilégios que tinha a escrava branca primou pela maldade. Por isso ela prefere tomar o veneno e morrer do que passar por aquela situação.

Jéfferson Balbino: Em 2004, a Rede Record produziu um remake dessa novela onde sua personagem foi defendida pela atriz Patrícia França. Você chegou a ver essa adaptação? O que achou da atuação da atriz do remake?

Léa Garcia: Acho que foi um outro momento... Gosto muito da Patrícia França, inclusive fizemos juntas a novela “Suave Veneno” onde ela era minha sobrinha e fizemos também lá na Record a novela “Cidadão Brasileiro”, eu tenho uma estima muito grande por ela. Essa adaptação não teve um mesmo tratamento que teve a novela da Globo, mas eles desempenharam muito bem dentro do que foi proposto.

Jéfferson Balbino: E você chegou a sentir ciúmes de ver outra atriz dando vida a uma personagem tão marcante que você fez no passado?

Léa Garcia: Não Jéfferson... Quando o Bernardo Guimaraes criou esse livro que deu origem a novela ele não pensou que essa personagem me pertenceria eternamente (risos). Então não posso ter ciúmes daquilo que não é meu, essa personagem esta aí para ser interpretada por muitas outras atrizes.

Jéfferson Balbino: O que você destacaria do seu trabalho nas novelas “Maria Maria” (TV Globo/1978) e “Marina” (TV Globo/1980)?

Léa Garcia: Em “Maria Maria” eu destacaria aquela escrava muito engraçada e muito pedante que eu fiz, acho ela muito interessante, pois ela era a escrava da Maria Dusá. E ela gostava muito de maquiar a Maria Dusá... E em “Marina” fiz aquela professora de História num Colégio gran fino e ela dá uma aula sobre o Quilombo dos Palmares e a filha sofre discriminação racial. O texto que me chegou às mãos não fazia parte do contexto da história oficial que ocorreu e eu perguntei ao Herval se eu poderia junto com o pessoal do Instituto de Pesquisa de Culturas Negras mexer naquilo porque eu não poderia falar sobre o Quilombo dos Palmares com aquele texto que me chegou as mãos, era um texto egocentrista com uma visão distorcida da história e eu tinha que desmistificar isso. E o Herval falou com a pesquisadora Ana Maria Magalhaes que concordou e aí eu modifiquei. Então era um texto de duas páginas inteiras que eu falava e na gravação, depois que eu modifiquei, quando eu terminei de interpretar o estúdio inteiro aplaudiu.

Jéfferson Balbino: Até a década de 1990, os atores negros no Brasil interpretavam na maioria das vezes apenas personagens pobres e escravos. Você acredita que havia um preconceito velado contra os atores negros que eram escalados apenas para esses tipos de personagens?

Léa Garcia: Meu amor, eu acho que não mudou muito, porque mesmo as personagens que a minha querida Taís Araújo fez, sem ser as escravas, eram tidas e proclamadas como as heroínas, as protagonistas das novelas que ela fez, mas nunca foram. Eu amo a Taís e amo a Giovanna Antonelli, mas nas duas novelas que a Taís era dita como protagonista, “Da Cor do Pecado” e “Viver a Vida” ela foi sucumbida pelas personagens da Giovanna Antonelli e da Alinne Moraes, a Taís dançou. Então eu acho que ainda não aconteceu conforme nós queríamos. É intitulada como protagonista, mas na verdade não era.

Jéfferson Balbino: E como você acha que pode mudar isso?

Léa Garcia: Isso só pode ser mudado a partir do momento que o olhar da televisão e das pessoas que produzem tenha nosso olhar. E para terem o nosso olhar é necessário termos novelistas negros, diretores negros, produtores negros, pessoas que realmente tenham nossa visão, não estou falando isso para levantar bandeiras de movimentos de negritude. Um exemplo disso é o filme “Filhas do Vento”, escrito e dirigido por negros e não foi um filme de levantar bandeiras. Porque o indiano e o japonês fazem o seu cinema? E porque o negro brasileiro não pode fazer o seu cinema com a sua realidade, a sua vida sem estereótipos e quando fazem aqui no Brasil são criticados por praticarem racismo? Já passou do momento de mostrar ao Brasil a sua população negra... Porque a sociedade mestiça que é a brasileira quer embranquecer? Ninguém pode falar bem de um povo como o seu próprio povo... Jamais um filme japonês pode ser feito tão bem por um povo senão for o japonês e por aí afora... Não quero só Cinema negro, mas já que podem fazer todos, vamos fazer o nosso também! Precisamos ter essa dignidade não podemos ver em filmes e em novelas personagens negros correndo da policia ou com uma bengala, não podemos ver negra puta ou de olhos esbugalhados, chega de paternalismo!

Jéfferson Balbino: É lamentável que esse tipo de preconceito continue em pleno século XXI e, sobretudo, no meio da Arte...

Léa Garcia: A atriz negra chega numa certa idade e não é mais escalada pra fazer novela enquanto a atriz velha branca esta trabalhando. A atriz negra só é chamada para fazer escrava, bunduda, peituda e gostosa... Aí como no meu caso, chega numa certa idade ninguém chama mais para trabalhar em televisão... A atriz negra envelhece e não tem mais personagens para ela na televisão enquanto a atrizes brancas mais velhas que eu fazendo novela. A não ser mãe preta com turbante na cabeça e cachimbo na boca algo que não se tem, mas nem no Morro (risos). Sempre detestei fazer mãe preta!

Jéfferson Balbino: Em algum momento da sua carreira você sofreu preconceito racial de maneira explicita por parte de alguém do meio artístico?

Léa Garcia: Explicita não... O preconceito que sofro é daqueles rotineiros de você entrar num banco e olharem torto, de você esbarrar acidentalmente na bolsa de alguém, mas daí depois que percebe que sou atriz desfaz a cara... Enfim, aquele preconceito que você vê no olhar durante a rotina, mas é um preconceito que não se pode fazer nada que não dá pra sair gritando.

Jéfferson Balbino: Léa, mas eu digo preconceito de alguma pessoa ligada ao meio artístico...

Léa Garcia: Tem... Mas também não é preconceito que dá para gritar. Temos muitas atrizes preconceituosas, mas você tem que conviver com elas. O bom é você contracenar com elas e aparecer o mesmo tanto (risos).

Jéfferson Balbino: Voltando a falar de teledramaturgia, você também atuou em algumas minisséries, como: “Bandidos da Falange” (TV Globo/1983), “Abolição” (TV Globo/1988), “Desejo” (TV Globo/1990), “Agosto” (TV Globo/1993)... Atuar em minisséries é mais ou menos prazeroso do que atuar em novelas?

Léa Garcia: Olha Jéfferson, eu acho a minissérie feita com mais cuidados devido o tempo dela ser menor, ela já vem inteira pronta para sua mão. Ela é mais bem cuidada até em termos de trabalho do ator, diretor, figurino, cenografia... O ator tem mais possibilidade de fazer um trabalho melhor por isso chega a ser mais prazerosa. A novela ninguém sabe o que vai acontecer chega a depender da simpatia do autor, do diretor, os rumos do Ibope, ao contrário das minisséries que é uma espécie de chama para o ator.

Jéfferson Balbino: E como foi trabalhar na teledramaturgia da extinta TV Manchete onde você atuou em “Helena” (1987), “Dona Beija” (1986), “Tocaia Grande” (1995)...?

 

Léa Garcia: Ah eu gostava muito da Manchete, aliás gostei de trabalhar em todas as emissoras que trabalhei, cada uma foi num momento importante e prazeroso da minha vida.



Escrito por No Mundo dos Famosos às 17h32
[] [envie esta mensagem
] []





Entrevista Especial com LÉA GARCIA

 

Jéfferson Balbino: Você também atuou na novela “Pacto de Sangue” (TV Globo/1989) que foi uma das poucas novelas da Globo gravadas inteiramente antes de ir ao ar. O que esse tipo de experiência acrescentou na sua carreira de atriz?

Léa Garcia: “Pacto de Sangue” foi uma novela muito estranha pra mim, porque o Herval me chamou par fazer outra personagem, e como eu era funcionária pública falei com ele e a assistente dele que eu não poderia deixar o Ministério naquele momento porque eu não podia ter férias e nem licença, daí a novela atrasou, a personagem que eu faria ele deu para outra atriz e ele me deu como ‘castiguinho’ outra personagem que eu fiz até o fim da novela e não gostei muito porque era uma personagem muda, mas não gostei por isso até porque eu fiz a novela “Helena” na Rede Manchete com o Luiz Fernando Carvalho e a minha personagem ficou muda até a metade da novela, mas era de grande intensidade dramática. Então não era por ter fala, mas por ser uma personagem que não me acrescentou nada, nem sei por que o Herval me chamou, nem devera ter chamado. Não tive até hoje algum tipo de retorno por essa personagem.

Jéfferson Balbino: Fazer uma personagem muda exige um minucioso trabalho psicológico de sua parte né?

Léa Garcia: Exatamente Jéfferson... Eu pude fazer muito esse trabalho na “Helena” da Manchete, porque a de “Pacto de Sangue” era contida, não me exigia esse trabalho psicológico, nem uma intensidade dramática, era muda e andava com a bandeja pra baixo e pra cima.

Jéfferson Balbino: E que lembranças você tem da Mundica sua personagem na novela “Araponga” (TV Globo/1990)?

Léa Garcia: A Mundica era uma coitada, uma mulher infeliz com um monte de filho, o marido não gostava dela, gostava de outra. Foi uma personagem muito infeliz, eu morria de pena porque ainda me traziam umas crianças ‘ranhentas’ (risos), era uma personagem com uma vida quase miserável, tinha pena dela.

Jéfferson Balbino: Como funciona o processo de desapego com as suas personagens quando você termina de dar vida a elas?

Léa Garcia: Eu nunca trago minhas personagens para casa, eu deixo no estúdio. Só aconteceu uma coisa inusitada em relação a isso quando eu fiz o filme “Mulheres do Brasil” eu era cega nesse filme e eu terminei a filmagem e um grande amigo meu que e cabelereiro foi me buscar no set e eu no taxi conversando com ele, de repente ele me fala que eu ainda estava cega, eu sai do set e levei a cegueira para o taxi e não estava percebendo, pois eu falava com ele e não olhava de forma normal, mas com a cega que eu fazia no filme, fora isso não me ocorreu mais nada (risos).

Jéfferson Balbino: Mas você não sente falta de vivenciar uma personagem que o acompanhou durante algum tempo?

Léa Garcia: É claro que em inicio de carreira a gente sempre sente até porque se apaixona muito pela personagem, sente a falta daquelas idas e vindas de gravação e decorar textos, mas depois isso vira uma rotina na vida e a gente não sente mais. Talvez no Teatro a gente sempre sinta mais por conta da ‘vivencialização’ de todo aquele processo. Mas sempre acaba e logo vem um novo trabalho, uma nova personagem...

Jéfferson Balbino: Atualmente vem sendo reprisada pelo Canal Viva a novela “A Viagem” (TV Globo/1994) onde você faz uma participação belíssima. Como foi dar vida a um texto da saudosa Ivani Ribeiro com uma personagem cativante?

Léa Garcia: Aquela novela é interessante, porque na época que foi ao ar a cantora Alcione deu uma entrevista e pergunta por que não havia anjo negro no céu se ninguém preto havia morrido se estava todos na terra ou no inferno (risos), daí por isso criaram aquele personagem que já deveria entrar no ar e o Wolf [Maya] me chamou... Foi legal dar essa visão, mas universalista e democrática no céu (risos).

Jéfferson Balbino: E com a Ivani você chegou a ter o mesmo tipo de contato que você teve no passado quando trabalhou com a autora Janete Clair?

Léa Garcia: Não, infelizmente eu nunca tive contato com a Ivani Ribeiro. Diferentemente da Janete Clair que eu até falava por telefone, e como entrei no meio da novela nem cheguei a conhecer a Ivani Ribeiro, ela também estava adoentada, mas a novela fez e faz muito sucesso a cada vez que é reprisada.

Jéfferson Balbino: Você tem visto a reprise de “A Viagem” pelo Canal Viva?

Léa Garcia: De vez em quando... O duro é que o Canal Viva paga pouquíssimo de direitos autorais pelo uso de imagem é uma forma injusta de remuneração ao ator.

Jéfferson Balbino: No contrato não vinha especificado que em caso de reprise vocês teriam direito a uma porcentagem dos lucros?

Léa Garcia: Em reprise na Globo recebemos pelos direitos autorais, mas no Viva não recebemos nada!

Jéfferson Balbino: E no teatro qual foi o momento mais marcante da sua carreira?

Léa Garcia: Eu não consigo ter apenas um momento mais marcante, mas sim vários espetáculos que eu fiz e adorei então eu acho geralmente emocionante as estreias... Todos os trabalhos que fiz no Teatro foram preciosos e maravilhosos e por isso não consigo especificar apenas um! Fiz muita coisa boa como Nelson Rodrigues, noutra peça eu contracenei com o Sergio Britto...

Jéfferson Balbino: Como foi contracenar com a atriz Glória Pires na novela “Anjo Mau” (TV Globo/1997)?

Léa Garcia: Eu adoro, eu tenho paixão pela Glória Pires, pela Glória atriz, pela Glória pessoa, a Glória é um amor. Quando eu fiz “Selva de Pedra” ela tinha 10 anos e vivia sentando no meu colo... É um carinho imenso que sinto por ela! E foi muito bom contracenar com a Glória e com a Luiza Brunet que é um amor de pessoa, um doce! Também adorava contracenar com a Taís Araújo e amava ser dirigida pela minha querida Denise Saraceni, amo e sou apaixonada pela Denise, foi muito bom fazer essa novela. Eu sofria muito com a Cida, lembro da Alessandra Negrini tensa na hora de gravar uma cena que ela me xingava de negra (risos). Certa vez ela me deu um vestido da confecção que ela tinha, o vestido já acabou agora o saquinho do embrulho eu tenho guardado até hoje, porque eu tenho um carinho muito grande, ela é uma pessoa muito especial.

Jéfferson Balbino: Nessa novela tinha também a saudosa e inesquecível atriz Regina Maria Dourado...

Léa Garcia: Aí Jéfferson nem me fala... A Regina é uma grande amiga, de muito anos. Naquele tempo que fizemos “Anjo Mau” saímos eu a Regina e o Luís Salém lá pra São Cristovão para dançar na Feira, daí um dia a Regina disse pra Alessandra que pediu pra ir também. Era muito bom (risos)! Fizemos juntas as prostitutas de um especial chamado “Quincas Berro d’Água”, éramos novinhas nessa época. Conheci a Regina em Salvador que era amiga de Jurema Pera, Sônia Pereira. Tenho até hoje uma agenda que ela me deu e que nunca usei. Tem na capa vários dizeres ‘baianês’ escritos por ela... Sinto muita a falta dessa querida amiga!

Jéfferson Balbino: Ainda há algum tipo de personagem que você queira interpretar?

 

Léa Garcia: Não... Porque as personagens que queriam interpretar eram em teatro, mas já passei da época de fazer (risos). 



Escrito por No Mundo dos Famosos às 17h31
[] [envie esta mensagem
] []





Entrevista Especial com LÉA GARCIA

 

Jéfferson Balbino: Como foi a sensação e a emoção por concorrer a Palma de Ouro por sua impecável atuação no filme “Orfeu”? E por ser premiada com o Kikito por sua magistral atuação no longa “Filhas do Vento”?

Léa Garcia: A Palma de Ouro foi uma coisa muito incrível porque eu estava em casa quando recebi a notícia e ganhei uma pagina inteira na Revista Manchete e eu fiquei morrendo de vergonha porque a minha atriz predileta ficou atrás de mim em terceiro lugar e eu achei uma injustiça. Eu fiquei 15 dias sem sair na rua de vergonha porque eu não queria que ninguém falasse comigo (risos). E o Kikito fiquei sabendo quando estava num jantar no Leblon quando meu telefone tocou e eu fiquei sabendo e não acreditei (risos), depois vieram outros prêmios ao qual eu muito me orgulho... Nunca pensei na minha vida que um dia eu fosse ser premiada e reconhecida por meu trabalho...

Jéfferson Balbino: Voltando a falar de novela... Como surgiu o convite para você interpretar a Tia Lola na novela “O Clone” (TV Globo/2001)?

Léa Garcia: Foi porque a Ruth [de Souza] ficou doente e como a Glória Perez não queria que ela saísse da novela eles me ligaram para eu fazer uma participação, meu pai estava internado nessa época e se ele melhorasse eu aceitaria fazer a participação. Daí passaram os textos da Ruth para mim que era irmã da personagem da Ruth, com a volta dela a Glória não quis tirar minha personagem e ficamos as duas lá como um par de jarras (risos), como a Ruth não podia andar muito bem o [Jayme] Monjardim colocava nos duas sentadas como um par de jarras.

Jéfferson Balbino: Já faz um tempinho que você esta afastada das novelas... Tem planos de voltar atuar na TV?

Léa Garcia: Estou num momento que seria até interessante eu voltar, mas eu não sei chegar e pedir emprego, eu não sei fazer isso. Por isso vou fazendo trabalhos paralelos. Não é orgulho é que eu não consigo!

Jéfferson Balbino: Em 2011 eu entrevistei a nossa querida Rosamaria Murtinho que já foi presidente do SATED/RJ e ela me disse que estava triste com o sindicalismo, pois algumas pessoas o usavam como uma espécie de trampolim político. Você que é atualmente diretora do Sindicato como analisa essa constatação da Rosinha?

Léa Garcia: Quando ocorre dessa forma que ela salientou realmente é muito desagradável. Atualmente eu não tenho nada a me queixar do meu presidente, o Jorge Coutinho, pois ele nunca fez do Sated uma plataforma política. Eu sinto uma dedicação muito grande do Presidente, um cuidado muito grande!

Jéfferson Balbino: O que você acredita ter sido sua maior contribuição para a história da (tele) dramaturgia brasileira?

Léa Garcia: Eu acredito que todo ator contribui de uma forma muito intensa, desde que exerça sua profissão com dignidade. Não somente os atores, mas todos os profissionais, desde médico até gari quando se exerce com comprometimento sua profissão esse profissional irá contribuir para a melhoria do país, para a História do Brasil... Não tenho essa vaidade de achar que somente eu ou que somente os atores que contribuem.

Jéfferson Balbino: Você é uma atriz que assiste novelas?

Léa Garcia: Geralmente nos horários das novelas eu estou na rua. Só gravo as novelas que eu faço para ver e me corrigir, pois tenho uma autocrítica muito grande.

Jéfferson Balbino: Teve alguma novela que você assistiu como telespectadora e quem tenha gostado muito?

Léa Garcia: Adorava “Amor a Vida”, achei o Thiago Fragoso e o Mateus Solano divinos, mas não acompanhei inteira, somente trechos...

Jéfferson Balbino: Querida Léa, obrigado pela honra imensurável que você me deu concedendo essa entrevista para o “No Mundo dos Famosos”, parabéns por tudo que você fez em prol da Arte e da Cultura brasileira! Muito obrigado, e um grande abraço!

 

Léa Garcia: Obrigada você Jéfferson, também gostei muito de lhe conceder essa entrevista e saiba que adorei ter te conhecido naquele jantar lá no Retiro dos Artistas no ano passado... Um grande abraço!



Escrito por No Mundo dos Famosos às 17h30
[] [envie esta mensagem
] []





Ainda Hoje: Entrevista Especial com LÉA GARCIA



Escrito por No Mundo dos Famosos às 17h19
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]