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ARQUIVO - No Mundo dos Famosos
 


Entrevista Especial com ROGÉRIO FRÓES

 

A “Entrevista Especial” de hoje do “No Mundo dos Famosos” é com um dos mais talentosos atores do nosso país. Seja na TV, no Teatro ou no Cinema ele sempre dá um show de interpretação em cada trabalho que faz, pois seus personagens são feitos sempre com muita verdade, o que reforça o talento desse magistral ator. Meu entrevistado super especial é o querido ator ROGÉRIO FRÓES.

“Tudo o que eu fiz artisticamente foi com muita verdade, com muito carinho e com muita dedicação.”

(Rogério Fróes)

Jéfferson Balbino: Rogério, como surgiu seu interesse pela carreira artística?

Rogério Fróes: Olha Jéfferson, eu já me perguntei isso várias vezes... Eu atribuo ao meu pai que desde cedo me levava para ver teatro. Papai era agente de estrada de ferro e sempre ganhava o que ele chamava de “permanente das estações”, eu me lembro de ter visto o Procópio Ferreira fazendo teatro e eu não tinha ainda 10 anos de idade. Eu me lembro uma vez de ver o Rodolfo Mayer fazendo o monologo “As Mãos de Eurides” e eu fiquei impressionado com o trabalho dele, e eu o ficava imitando em casa. Eu sempre tive desde cedo interesse pelo teatro, mas a vida me levou para outros caminhos, eu me casei, fui trabalhar em banco, mas em 1952, eu e um grupo de amigos resolvemos montar o “Grupo de Teatro Rural de Estudantes” que foi o marco divisório na minha vida, numa época que só se falavam de futebol e mambo (risos)... Daí montamos a nossa primeira peça: “Judas em Sábado de Aleluia”, de Martins Pena. E eu participei dessa montagem e de lá pra cá, de certa forma, nunca mais parei. Mesmo trabalhando em banco fazia uma ou duas peças por ano.

Jéfferson Balbino: E como surgiu seu ingresso na TV?

Rogério Fróes: Aconteceu porque esse meu grupo de Teatro promoveu um encontro, um curso de Teatro em que vários autores e personalidades de Teatro fizeram, e foi aí que eu conheci o João Bittencourt, quando eu perdi o interesse pelo banco eu procurei o João que me convidou para uma peça que ele estava montando que foi “As Feiticeiras de Salém”. Eu fui escolhido por ele, fiz o teste e passei e fiz a peça no Teatro Copacabana Palace. Nessa peça conheci atores que já faziam televisão, como o Odair Mazano que eu nem sei por onde ele anda hoje em dia, tinha o Fábio Sabag... E daí surgiu o convite para eu fazer o programa Festival Trow que foi a primeira coisa que fiz, daí uma dia eu fazendo uma peça com a Glauce Rocha ela me apresentou o diretor Régis Cardoso que me convidou pra fazer uma curta participação numa novela e eu não parei mais... Minha vida na televisão foi assim!


Jéfferson Balbino: Um dos seus primeiros trabalhos na teledramaturgia brasileira ocorreu na novela “Rosa Rebelde” (TV Globo/1969) que era uma novela no estilo capa e espada... Como foi participar desse trabalho?

Rogério Fróes: Foi uma experiência porque era um gênero bem folhetim mesmo, não havia muitas alternativas, era isso que o público gostava.

Jéfferson Balbino: Ainda com a novelista Janete Clair você trabalhou nas novelas: “Véu de Noiva” (TV Globo/1969), “Selva de Pedra” (TV Globo/1972) e “Eu Prometo” (TV Globo/1983). Que aprendizados você adquiriu como ator ao trabalhar sobre o texto dessa magistral novelista?

Rogério Fróes: Então depois de “Rosa Rebelde” que foi a última novela nesse estilo capa e espada a Janete fez a primeira novela realista que foi “Véu de Noiva”. Eu passei por essa transformação que marcou muito a televisão. O aprendizado foi no de trabalhar com a emoção, pois a Janete era muito verdadeira com seus personagens, eram personagens autênticos, uma coisa verdadeira e intensa. A Janete é sensacional, acho que até hoje não existe alguém com a sensibilidade dela.

Jéfferson Balbino: Você também fez parte do elenco de algumas novelas do Dias Gomes como: “Assim na Terra como no Céu” (TV Globo/1970), “Bandeira 2” (TV Globo/1971), “O Bem Amado” (TV Globo/1973) e “Araponga” (TV Globo/1990). Que importância esses trabalhos tiveram na sua carreira?

Rogério Fróes: Depois da Janete veio a minha fase com o Dias Gomes que tinha uma pretensão política, ele fazia várias críticas aos políticos através de suas novelas. Eu tenho o box de DVD de “O Bem Amado” e até hoje não sai do primeiro disco, não consegui ver, me emociono muito porque tem tanta gente que já partiu. Esse trabalho foi um marco, um divisor na história da televisão, tanto pela dramaturgia, quanto pela história do Dias, eu me lembro de diretor da TV Globo ligar para o Dias pedindo que não atacasse algum determinado político, por isso até proibiram a novela “Roque Santeiro”. Esse casal foi um divisor na história da teledramaturgia brasileira.

Jéfferson Balbino: Quando você atuou em “O Bem Amado” você imaginava que estava fazendo parte de uma das mais clássicas novelas da TV brasileira? Você tinha essa noção?

Rogério Fróes: A gente tinha intuição que estava fazendo algo diferente, porque o protagonista era um canalha e as pessoas o amavam. O Dias Gomes tinha na novela um painel da sociedade, como as irmãs cajazeiras, os políticos, a oposição, a Igreja marcada dentro do panorama brasileiro, enfim o Dias brincava com todo o painel da sociedade brasileira. Acontecia um fato na vida real e ele já levava para a novela...

Jéfferson Balbino: E a Igreja Católica chegou a se opor ao seu personagem?

Rogério Fróes: Não... Em momento algum até porque o meu vigário não era safado, acho que o Dias sabiamente não colocou o padre em situação vexatória.

Jéfferson Balbino: Quando o ator faz um personagem religioso como você fez em “O Bem Amado” tem que tomar algum cuidado específico?

Rogério Fróes: Eu sou católico, tenho parentes monges no São Bento, então eu fazia com muito cuidado e carinho esse personagem para não o expor ao ridículo.

Jéfferosn Balbino: Como foi trabalhar com a nossa querida Rosamaria Murtinho na novela “Cuca Legal” (TV Globo/1975)?

Rogério Fróes: Eu só lembro que em “Cuca Legal” eu tinha um personagem que era dono de um restaurante, pois essa novela não me marcou muito. Então não me lembro como foi contracenar com a Rosamaria, mas ela é uma pessoa que eu tenho um carinho muito grande e um grande respeito!

Jéfferson Balbino: Quando você atua em novelas baseadas em clássicos da Literatura Brasileira como: “A Moreninha” (TV Globo/1975) e “Guerra Sem Fim” (Rede Manchete/1993) você mergulha nas obras literárias para compor seu personagem?

Rogério Fróes: Lógico, eu procuro ler até para não fugir muito e assim entrar em choque com a origem do personagem. “A Moreninha” eu li, foi muito bom gravar lá em Pacatá, ser dirigido pelo Herval Rossano. Acho que quando o ator faz esse tipo de trabalho ele tem a obrigação de ler o original para não fugir da matriz...

Jéfferson Balbino: E no caso da minissérie “Sansão e Dalila” (Rede Record/2011) onde você viveu o Aliã você buscou a composição desse personagem na Bíblia ou o texto do autor tinha o respaldo necessário?

Rogério Fróes: Sim, claro... Busquei na Bíblia e seguia o texto que o autor escrevia.       

Jéfferson Balbino: E foi você que motivou a sua filha, a atriz Gisele Fróes, a seguir a carreira de atriz?

Rogério Fróes: Olha Jéfferson, eu acho que foi uma coisa natural. Porque eu fazia a peça “O Olho Azul da Falecida” e quando eu passava o olho na plateia eu a via lá sentada. Acho que de maneira natural eu a influenciei. Eu tenho ela de atriz e a mais velha, a Angélica que fazia figurino e que foi diretora de arte e que agora foi morar na Bélgica. E tenho a Luciana que é a minha caçula e que se tornou atriz também... Então eu acho que de certa forma a gente influencia, eu nunca impus, mas muito me orgulha saber que elas se espelharam na minha profissão.

Jéfferson Balbino: Qual foi o trabalho mais marcante que você fez no Cinema?

 

Rogério Fróes: O mais marcante na minha carreira foi “Prova de Amor” que eu fiz com a Lilia Lemmertz. 



Escrito por No Mundo dos Famosos às 23h33
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Entrevista Especial com ROGÉRIO FRÓES

 

Jéfferson Balbino: O que você destacaria do seu trabalho nas novelas: “Locomotivas” (TV Globo/1977) e “Pecado Rasgado” (TV Globo/1978)?

Rogério Fróes: “Locomotivas” foi uma novela muito agradável, eu me lembro que contracenava com a minha querida amiga Eva Todor que é uma pessoa maravilhosa. Já “Pecado Rasgado” vou ser sincero com você Jéfferson, não me marcou muito não. Como já fiz muito trabalhos, uns me marcaram como: “O Bem Amado”, e “Locomotivas” na Globo e “Prova de Amor”, na Record.

Jéfferson Balbino: Você também fez parte do elenco da novela “Os Gigantes” (TV Globo/1979) que foi uma trama que apostava em temáticas que eram consideradas inadequadas para uma novela como a eutanásia. Como vocês do elenco reagiam com as críticas negativas? Vocês prestavam alguma solidariedade ao autor da trama, o nosso querido Lauro César Muniz?

Rogério Fróes: Sinceramente eu não me lembro como reagi a polêmica que essa novela causou, mas sempre admirei muito o Lauro e a obra dele.

Jéfferson Balbino: Que lembranças você tem do Martim seu personagem na novela “A Gata Comeu” (TV Globo/1984)?

Rogério Fróes: Era muito gostoso até porque eu morava na Urca nessa época e já conhecia a vizinhança, era uma história leve e sem maldade. Foi meu único trabalho com a Ivani, mas nunca troquei ideia pessoalmente com ela, como tive com o Dias Gomes e com a Janete Clair.

Jéfferson Balbino: E como foi trabalhar na teledramaturgia da extinta Rede Manchete com as novelas: “Novo Amor” (1986) e “Corpo Santo” (1987)?

Rogério Fróes: Foi uma época boa, pena que a Manchete se degringolou, eu fiz uma minissérie muito interessante lá que não foi ao ar que era baseada na história do Collor, pois foi proibida sem justificativa no dia da estreia... A Manchete era uma promessa de um novo trabalho!

Jéfferson Balbino: Sacia uma curiosidade nossa: Você é um ator que guarda os textos dos capítulos das novelas que você trabalha?

Rogério Fróes: Eu não guardo... Durante muito tempo eu guardava, mas para reciclarem. Mas depois de uma época as próprias emissoras começaram a reciclar.


Jéfferson Balbino: E como foi ser dirigido pelo saudoso Herval Rossano na novela “Gente Fina” (TV Globo/1990)? Ele era mesmo um diretor severo como reza a lenda?

Rogério Fróes: Eu adorava trabalhar com o Herval, ele era muito exigente, muito severo sim. Eu me lembro que uma vez eu cheguei sem saber uma parte do texto e ele me deu uma bronca. Ele também exigia pontualidade e muita disciplina dos atores, tanto ele quanto o Régis Cardoso, mas foram ótimos e grandes diretores. Eu tenho muita saudade deles.

Jéfferson Balbino: O que você acredita ser o maior desafio da sua carreira?

Rogério Fróes: Eu acho que eu já casado, com duas filhas e largar o meu trabalho fixo no Banco para fazer teatro (risos), nessa época eu morava no subúrbio, lá em Campo Grande e não conhecia ninguém no meio artístico.

Jéfferson Balbino: No Teatro qual foi o espetáculo que lhe deu mais trabalho pra fazer?

Rogério Fróes: Foi “Ecus”, foi uma peça que fiz com o Ricardo Blat no BNH, com direção de Celso Nunnes, era um texto cobiçado por vários atores no Rio de Janeiro, eu me lembro do Luiz de Lima e do Sérgio Britto querendo e eu levei um susto quando o Celso Nunnes me convidou, eu estava até ensaiando a peça “A Cinderela do Petróleo”, uma peça do João Bittencourt, daí recebi uma ligação de uma grande amiga nossa que não vou dizer o nome porque ela pode não gostar (risos), e ela disse que se o João Bittencourt recebesse um convite para dirigir uma peça em Nova York no dia da estreia dessa que eu faria, ele iria sem pensar e se eu achasse que a peça do Celso seria boa eu deveria ir, e fui . E essa foi uma, senão, a melhor peça que fiz. Muitas pessoas falam ser meu melhor trabalho!

Jéfferson Balbino: Qual foi sua fonte de inspiração pra interpretar o Velho Gui na novela “Prova de Amor” (Rede Record/2005)?

Rogério Fróes: Até hoje as pessoas me lembram pelo Velho Gui. Embora eu já esteja um tempo sem fazer TV ainda às pessoas me lembram por esse personagem. Semana passada fui no Mercadão em São Paulo e as pessoas me abordavam como se eu estivesse no ar e isso devido ao velho Gui.

Jéfferson Balbino: Teve alguma fonte de inspiração para dar vida a esse marcante e cativante personagem?

 

Rogério Fróes: A minha fonte de inspiração para interpretar o velho Gui foi realmente a partir da ideia de um homem que acha que tudo na vida tem concerto e que tem um grande amor pelas crianças. Eu tenho netos, e adoro conversar e brincar com eles, um dia isso será uma lembrança pra eles.



Escrito por No Mundo dos Famosos às 23h32
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Entrevista Especial com ROGÉRIO FRÓES

 


Jéfferson Balbino: A propósito, qual a sua consideração sobre a velhice?

Rogério Fróes: Eu acho que a velhice é você estar no alto de um cume olhando a vida que está lá embaixo. A única maneira de não envelhecer é morrer antes, por isso eu não me arrependo de ficar velho. Eu acho que a velhice é uma grande lição que você troca, é logico que você sente saudades das potencialidades que você tinha.

Jéfferson Balbino: Você também fez um belíssimo trabalho na novela “Amor e Intrigas” (Rede Record/2008). Como foi dar vida ao inesquecível personagem Giuseppe Molinaro?

Rogério Fróes: Foi muito bom! Eu lamento muito a Record ter desvirtuado como está agora. Pois começou tão bem com “Prova de Amor”, eu lembro que eu ouvia na rua: “Ei você esta fazendo aquela novela da Globo que passa na Record?” (risos)... Aí depois foi perdendo por conta da influência da Igreja...


Jéfferson Balbino: Então, atualmente, você não é mais contratado da Record?

Rogério Fróes: Não. Atualmente eu não tenho contrato com lugar nenhum.

Jéfferson Balbino: Dentro da nossa rica teledramaturgia brasileira, há algum personagem que foi interpretado por outro ator que você gostaria de ter feito se tivesse oportunidade?

Rogério Fróes: Nunca olhei por esse ângulo... É claro que quando a gente vê uma novela e vê um personagem interessante, é claro que chama atenção. Recentemente, quando passava aquela novela “Avenida Brasil” via vários personagens interessantes, muito humanos...

Jéfferson Balbino: Quais são suas referencias e/ou ídolos na (tele) dramaturgia brasileira?

Rogério Fróes: Eu continuo fã do Dias Gomes, hoje em dia são tantos os bons autores. E atores você tem atores maravilhosos como: o Cauã Reymond, o [Murilo] Benício, o Zé de Abreu que fez um trabalho muito honesto e cheio de verdade em “Joia Rara”.

Jéfferson Balbino: E o que você considera ser sua maior contribuição na história da teledramaturgia brasileira?

Rogério Fróes: Eu não tenho essa pretensão, o que posso lhe dizer Jéfferson é que eu fui sempre muito honesto em meu trabalho e que essa pode ter sido minha contribuição. Tudo o que eu fiz artisticamente foi com muita verdade, com muito carinho e com muita dedicação.

Jéfferson Balbino: E quando teremos o prazer de ver você novamente em uma novela?

Rogério Fróes: Só se eu vier a ser convidado... Por enquanto tenho projetos somente para teatro. É obvio que se eu receber convite pra televisão e o personagem for bom eu vou, mas por enquanto não tenho nada em vista.

Jéfferson Balbino: Antes de finalizarmos: Quais foram as melhores novelas que você já assistiu?

Rogério Fróes: Gosto de acompanhar as novelas que estão no ar. Não gostei daquela que passou recentemente “Além do Horizonte”, pois usou muito jovens atores sem experiência, achei amadora. Mas gostei muito de “Avenida Brasil” que ache excelente, gostei também de “Joia Rara”, e achei muito esticada aquela que teve “Amor à Vida”. É claro que os autores devem ter as suas razões para encherem tanta linguiça, mas a mim não satisfaz.

Jéfferson Balbino: Rogério, muito obrigado por conceder essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos” parabéns por essa belíssima trajetória profissional. Muito mais sucesso e um grande abraço!

 

Rogério Fróes: Muito obrigado Jéfferson! Foi um prazer falar com você, abraço!



Escrito por No Mundo dos Famosos às 23h30
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Entrevista Especial com ROGÉRIO FRÓES



Escrito por No Mundo dos Famosos às 23h26
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